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  • Matheus Mans

Crítica: 'Pelé' é filme da Netflix "para estrangeiro", mas com emoção


Pelé é um gênio. Pode falar o que for de sua personalidade ou posicionamento político, mas não dá para criticá-lo dentro dos campos. No entanto, fora das fronteiras do Brasil, este é um assunto obviamente controverso. Há quem deposite essa coroa em Maradona. Outros, até em Messi, Zidane e Cristiano Ronaldo. Por isso é tão legal um projeto como o documentário Pelé.


Filme original da Netflix, a obra é uma produção "para estrangeiro ver". Mas não num mal sentido. Aqui, os diretores Ben Nicholas e David Tryhorn contam a história do tricampeão mundial de forma lenta e cronológica, com toda a calma do mundo. Mostram como Pelé se formou nos campos de terra, como se sagrou jogador profissional, como foi pra Seleção.


As entrevistas com o próprio Edson Arantes do Nascimento seguem esse mesmo caminho, sem nunca se arriscar. Falam de política, sim, mas sem nunca entrar fundo em assuntos mais espinhosos -- Pelé fala da influência dos militares, mas nunca vai além. Além disso, o tema dos filhos nunca assumidos fica apenas na lembrança. Aqui, praticamente nada de vida pessoal.

É interessante, porém, como Nicholas e Tryhorn misturam a jornada de Pelé nos campos com o caos político do Brasil nos anos 1960. Explicam a Ditadura Militar de forma extremamente didática, justamente para pessoas de fora do país entenderem. Para quem é brasileiro, fica um gosto de mais do mesmo, já visto em tantos outros filmes. Mas tudo bem. Ainda tem sentido.


Por fim, as entrevistas são bem conduzidas -- a reunião de Pelé com o time do Santos é incrível -- e a edição trabalha bem os melhores momentos do jogador, destacando feitos históricos em campo. É difícil não terminar o filme com alguma emoção, sentindo algum apreço por aquele homem que fez História. Tem muitos problemas como ser humano. Mas, como jogador, é ímpar.


Pelé, assim, serve quase como uma propaganda internacional da História brasileira. Para nós, nascidos e criados aqui, há muitas banalidades, didatismo desnecessário e coisas do tipo. Mas a essência da trama, pelo menos, vale a pena. Sentimos nostalgia, emoção e há, até mesmo, aquele calor tão característico do futebol. Não é um filme marcante. Mas ajuda a entender Pelé.

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