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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Perdida no Deserto' é mais um filme caótico da Netflix


Que caos é esse Perdida no Deserto, longa-metragem saudita que chegou ao catálogo da Netflix nesta quinta-feira, 7 de dezembro. A ideia da produção, raro exemplo de cinema árabe distribuído pela plataforma, é boa: Sara (Adwa Bader), uma garota saudita, escapa de um dia descompromissado de compras para fazer um passeio, de bate-volta, no coração do deserto.


Ao lado dela, o namorado. Ou seria apenas uma paixonite? Difícil decifrar. O fato é que esse passeio, que era para ser rápido para que Sara pudesse voltar para o ponto de encontro com o pai às 21h59, dá errado. Não encontram a festa no deserto, atropelam um camelo e por aí vai.


Esse é um daqueles filmes caóticos, passados em um período bem específico de tempo, em que os personagens precisam se livrar das mais variadas artimanhas pelo caminho enquanto precisam ora sobreviver, ora correr para chegar em algum lugar a tempo. Lembra um pouco o interessante Vingança, com tudo conspirando contra a protagonista -- que, aqui, corre contra o tempo, sem uma estaca enfiada no abdômen. Lembra um pouco também de Corra, Lola, Corra.


No entanto, enquanto esses filmes prezam por uma trama mais limpa e sólida, Perdida no Deserto busca o acúmulo. É uma explosão visual e narrativa, com milhões de coisas acontecendo ao mesmo tempo. Parece que o diretor e roteirista Meshal Al Jaser, estreante em longas, queria mostrar muito de seu repertório e acabou socando tudo em um só filme.


É um filme barulhento visualmente. Não há organização, rigidez, nada. Pode parecer inventivo em um primeiro momento, mas tudo não passa de bagunça. Pior: Perdida no Deserto até flerta com uma desconstrução do papel da mulher na sociedade saudita, ainda muito conservadora e machista, mas acaba não conseguindo avançar na discussão como poderia e deveria ser.


No final, fica a sensação de oportunidade perdida. Há muitas coisas boas aqui e acolá (incluindo a atuação de Bader, a protagonista; e algumas cenas de ação mais intensas), mas nada que construa um coletivo acima da média. Um filme que, daqui umas duas semanas, será esquecido.

 

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