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  • Matheus Mans

Crítica: 'Pixinguinha' é filme quadrado, mas emocionante sobre músico


Uma das maiores belezas do cinema é o resgate histórico e cultural de personalidades que, por algum motivo, não estavam mais sendo tão celebradas quanto deveriam. É uma forma, afinal, de mostrar respeito, carinho e admiração por essas figuras. Esse, aliás, é o principal trunfo de Pixinguinha: Um Homem Carinhoso, cinebiografia que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 11.


Dirigido por Allan Fiterman e Denise Saraceni, o longa-metragem se propõe a contar de Alfredo da Rocha Vianna Filho — ou, simplesmente, Pixinguinha. Maestro, instrumentista e arranjador, ele foi um daqueles casos raríssimos de unanimidade no Brasil. Quem nunca ouviu Carinhoso, quem nunca viu ao menos uma imagem do semblante terno e sereno? Pixinguinha é o Brasil.


Pixinguinha: Um Homem Carinhoso sabe desses atributos ao seu lado e, dessa forma, tenta não se complicar. Saraceni e Fiterman são diretores principalmente de televisão, de novelas, e, obviamente, levam essa linguagem para o longa. Há uma estética pouco apurada na forma como a narrativa é conduzida, com uma narração em off de Pixinguinha, interpretado por Seu Jorge.

Fica uma coisa um tiquinho over demais. Além disso, a narrativa segue o bê-à-bá de sempre das cinebiografias. Mostra Pixinguinha pequeno, o surgimento do apelido, os primeiros amores, a formação musical e por aí vai. Há uma empostação pouco natural, até mesmo artificial, na forma que o filme insere outras figuras do samba, como Donga e João da Baiana, dentro da conversa.


O que justifica essa nota boa aqui abaixo? Primeiramente, Seu Jorge. Ainda que derrape na interpretação de que está tocando flauta em cena (dá pra ver com tranquilidade os dedos dessincronizados), ele sabe trazer toda a sensibilidade de Pixinguinha. Ele não parece nem um pouco com o maestro, mas ainda assim consegue ter a presença necessária em cena.


Além disso, é difícil não se arrepiar quando o filme traz algumas das principais músicas de Pixinguinha para o centro da narrativa. Carinhoso, lá no final, reproduzindo o que aconteceu logo após a morte do maestro, é bem dirigido e traz uma força natural. É incrível como, mesmo tantos anos depois da morte de Pixinguinha, sua obra, figura e sua história continuem em alta.


Dessa forma, a força motriz de Pixinguinha: Um Homem Carinhoso reside fora do longa-metragem em si. Só o resgate da figura, cada vez mais esquecida na curta memória do País, já é um ponto positivo por si só. Há, ainda, o bom trabalho de elenco, principalmente Seu Jorge e Thaís Araújo como esposa do maestro. Poderia ser melhor? Poderia. Mas já vale por isso.


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