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  • Matheus Mans

Crítica: 'Ponto Vermelho', da Netflix, é thriller de ação que não se arrisca


Nos últimos anos, tivemos a oportunidade de assistir a vários thrillers de sobrevivência, ao melhor estilo de caça gato e rato. O Acampamento é um longa-metragem bastante competente em sua realização, assim como A Trilha -- este último com alguns elementos corajosos em sua essência. Por isso, e por muito mais, que o sueco Ponto Vermelho não surpreende em nada.


Dirigido por Alain Darborg, o longa-metragem sueco conta a história de um casal (Nanna Blondell e Anastasios Soulis) que está passando por um momento realmente ruim do relacionamento. Por isso, os dois decidem fazer as malas e partir para uma viagem em uma região erma da Suécia. É lá que eles acabam encontrando um misterioso e perigoso "caçador".


É o típico filme de sobrevivência, em que vemos pessoas sendo caçadas por alguém "invisível". Não sabemos, até os minutos finais, quem é exatamente a pessoa com a arma em punho. Essa invisibilidade, em tese, trabalha para aumentar o suspense e a tensão, já que sentimos os nossos dois protagonistas em desvantagem -- ela está grávida, tem o cachorro, nada de armas.

Tudo isso são artifícios de Darborg já vistos em outros filmes, inclusive nesses outros dois que citamos no começo do texto. O cachorro, a ausência de armas para defesa, a gravidez... Tudo isso tenta fazer desesperadamente que o público "compre" um lado e fique com pena dos personagens. E daí que não há defesa? Tem o cachorro. Não gosta de animais? Ela está grávida.


A dupla de atores trabalha bem os momentos de tensão, mas ficam presos na obviedade. O diferencial de Ponto Vermelho acaba surgindo apenas nos 20 minutos finais, quando o cineasta quase abraça o gore. A violência extrema. Há uma sugestão de que isso vai acontecer em vários momentos, mas nunca há coragem. Teríamos visto resultado muito mais interessante, enfim.


Dessa forma, no final, Ponto Vermelho é um filme que repete as velhas fórmulas de sobrevivência, de caçada de "gato e rato" na natureza isolada, que não traz absolutamente nada de original. É mais do mesmo. Por um lado, isso deve agradar quem gosta de filmes como O Acampamento e A Trilha. Por outro, decepciona quem quer alguma coisa minimamente criativa.

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