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  • Matheus Mans

Crítica: 'Power', da Netflix, é divertida história de super-heróis


Muitas vezes, as histórias de super-heróis parecem saturadas. A Marvel está levando suas histórias ao máximo, enquanto a DC patina em busca de sua própria identidade. Por isso, parece inviável que vá surgir uma trama de super-heróis paralela, longe desses grandes estúdios, com histórias originais. Mas a Netflix, felizmente, conseguiu surpreender com o ótimo Power.


Estreia do serviço de streaming desta sexta-feira, 14, Power lembra vagamente uma mistura de Mentes Sombrias, Quarteto Fantástico e Poder Sem Limites. Afinal, nesta história de Henry Joost e Ariel Schulman (do mediano Nerve), os poderes especiais não surgem a partir de trajes especiais ou alterações genéticas. E ninguém é um deus. As habilidades vem de uma pílula.


Isso mesmo. Ao tomar uma única pílula -- com o nome de power --, a pessoa adquire poderes especiais por cinco minutos. Geralmente é uma habilidade que a distingue e a ajuda no dia a dia, mas também pode causar efeitos reversos. E é nessa emoção do imprevisível e a limitação de tempo que a tal pílula acaba se tornando objeto de tráfico e vira uma metáfora para as drogas.

No entanto, Power não comete o erro de se tornar um filme sério demais. Isso seria previsível. Pelo contrário. Ao acompanhar a trama do misterioso Art (Jamie Foxx), da garota Robin (Dominique Fishback) e do policial Frank (Joseph Gordon-Levitt), o espectador é convidado a ingressar numa história leve, que não se torna cansativa ou boba. Tem ação e drama na medida.


É legal viajar no roteiro de Mattson Tomlin (escritor do vindouro The Batman) e imaginar as possibilidades de efeitos que a tal pílula pode trazer. O drama do personagem de Foxx adiciona camadas ao filme, ainda que demore para fazer sentido a existência do personagem de Gordon-Levitt na trama. Mas tudo bem. No final das contas, tudo acaba fazendo sentido e divertindo.


Rodrigo Santoro, que faz o vilão do filme, está um pouco exagerado, teatral demais. Isso incomoda lá pelos primeiros minutos, mas depois acaba acostumando. Só queria ter visto mais tempo do ator em tela -- principalmente transformado. A alma do filme, porém, é a jovem Fishback. Ainda que óbvia em alguns momentos, é difícil não simpatizar com sua personagem.


Assim, podemos dizer que Power é o filme mais divertido da Netflix em 2020. Mais do que Resgate, The Old Guard e até Troco em Dobro, que tinha sido a boa surpresa do ano até aqui. Uma história leve, divertida, com camadas e, principalmente, com um gostinho de quero mais. Confesso que desliguei a televisão com uma vontade de ver mais desses bons personagens.

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