• Matheus Mans

Crítica: 'Psychokinesis', da Netflix, tenta ousar, mas acaba em clichê


O cineasta coreano Yeun Sang-Ho surpreendeu o mundo com o excelente Invasão Zumbi, um longa-metragem apocalíptico que consegue reverter clichês do gênero e criar uma trama bem dosada e cheio de escapismos que emocionam a audiência. Agora, o cineasta tenta fazer algo parecido, mas no subgênero de super-heróis, com o novo Psychokinesis, da Netflix.

No centro da trama, um homem que adquire superpoderes sem saber muito o porquê. Do nada, ele começa a voar, a atrair objetivos de maneira quase magnética e a ter poderes psicocinéticos. Do outro lado da história está Roo-mi, a filha do "novo super-herói" que passa por um período de luto ao mesmo tempo que precisa lidar com o fechamento de seu restaurante.

Sang-Ho, então, tem um cardápio com muito potencial em mãos. Pode falar sobre alguns excessos do capitalismo, pode desconstruir a figura do herói -- algo como Hitchcock fez na comédia e Poderes Sem Limites fez no drama -- e explorar a utilização de poderes dentro da sociedade e cultura coreana. Mas o cineasta, porém, não faz isso e erra em tudo que poderia errar.

A começar pelos atores: Eun-kyung Shim, a filha, e Seung-ryong Ryu, o pai, estão extremamente caricatos. Caindo para uma comédia pastelão, os dois atores dão vergonha em tela -- e, sem dúvidas, devem sentir vergonha enquanto atuam. Há até piadas sobre poderes que o homem adquiriu na língua. Na língua! Nem Hitchcock chegou nesse ponto. Não funciona.

Outro erra é a total falta de foco. Afinal, as críticas acima apontadas até surgem em alguns momentos como pequenas alfinetadas, mas se perdem no roteiro confuso e repleto de piadinhas. Há até um pequeno cutucão na vizinha Coreia do Norte que tinha certo potencial narrativo, mas se perde na torrente de acontecimentos bizarros, pouco coesos e sem propósito.

Os únicos acertos a serem destacados aqui são os efeitos especiais que parecem de um grande filme de Hollywood. Não há falhas de criação nesse sentido e tudo funciona para uma ótima ambientação da história.

Ainda assim, Psychokinesis é erro do começo ao fim. Ao contrário de Invasão Zumbi, que conseguiu reverter clichês do gênero e criar uma trama de tirar o fôlego, o novo filme de Yeun Sang-Ho é esquecível logo que sobem os créditos finais -- isso se você não tiver dormido de desgosto ou desânimo ao longo da produção. Tomara que o cineasta volte a surpreender em breve.

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