• Matheus Mans

Crítica: 'Quando Margot Encontra Margot' é comédia francesa banal


Outro dia comentamos aqui no Esquina, na crítica da ótima comédia argentina Minha Obra-Prima, que o cinema dos hermanos tinha atingido seu ápice com Relatos Selvagens e que, depois disso, houve uma explosão de produções e apenas algumas se salvaram. O mesmo vale para a França. O País, que sempre teve um cinema forte e marcante, com nomes como Godard e Truffaut, atingiu seu ápice de popularidade com a dramédia Intocáveis e, depois disso, houve um movimento similar com a Argentina: explosão de produções, em sua maioria comédias, e apenas uma pequena boa parcela.

Quando Margot Encontra Margot é mais um exemplo desses filmes banais que começaram a ser produzidos aos montes. Dirigido e roteirizado por Sophie Fillières (Arrête ou je continue), o longa-metragem conta a história de duas mulheres, ambas de nome Margot, que se encontram casualmente. Uma delas tem 20 anos (Agathe Bonitzer), é cheia de incertezas, e gosta de viver a vida no limite. Já a outra tem 45 anos (Sandrine Kiberlain) e, por conta da experiência, vê a vida com outros olhos e humor.

A coisa fica interessante, porém, quando a Margot mais velha começa a ver que a Margot mais nova é uma versão mais jovem dela, coexistindo no mesmo tempo e lugar. Afinal, acontecem as mesmas coisas com a garota que aconteceram com a mulher madura -- desde fatos pequenos, como uma moto roubada, até a gravidez inesperada.

A partir daí, Fillières batalha para criar uma história inteligente, original, criativa. Fica evidente, em cada um dos 95 minutos de duração, que a diretora e roteirista está tentando fazer algo diferente, repleto de significados, para fazer com que o espectador saia da sala com mais do que risadas na memória. É uma trama fantasiosa de reencontro geracional, como se fosse uma viagem no tempo de De Volta Para o Futuro, onde é possível rever os erros, as atitudes. É algo divertido, mas batido, que interessa.

O problema é que Fillières, ao contrário dos clássicos do gênero de viagem no tempo, não consegue trazer esse toque mágico que tanto busca. Sem se decidir entre a fantasia e o realismo, Quando Margot Encontra Margot fica num limítrofe chatíssimo. É a típica indecisão do realizador, que não conseguiu encontrar o melhor caminho pra sua trama. E essa dúvida fica tão evidente que começa a confundir e chatear o espectador que, naturalmente, busca encontrar um sentido (inexistente) naquilo tudo que é contado.

O elenco, liderado principalmente por Bonitzer (da série Osmosis, da Netflix) e Kiberlain (A Outra Mulher), até que está bem em seus personagens e consegue fazer uma boa troca em cena, mas nada impressiona. O humor acaba ficando raso demais, o drama é vazio, a metáfora se perde. É um filme que não se resolve em momento algum, que não se decide, e não tem um gosto agradável para quem está assistindo. A sensação, o tempo todo, é de que as coisas não estão fluindo e se desenvolvendo do jeito correto.

Há ainda uma situação final, quando o filme já está completamente esgotado de beleza e significado, que parece causar alguma transformação no que está sendo contado. Infelizmente, porém, não é nada disso: rapidamente esse plot se mostra desnecessário.

No final, fica aquela sensação estranha de ter visto um filme que não se destaca em absolutamente nada. Não dá pra lembrá-lo pela trama, pelas atuações, pela produção, pelo roteiro. É um filme bem filmado e com alguns aspectos técnicos interessantes, mas que a maioria do público deverá perceber que está assistindo um filme prepotente, que tenta ir além de suas capacidades. Uma pena. Se Fillières tivesse assumido o tom fantasioso, talvez, tenha melhorado as coisas para Quando Margot Encontra Margot.