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  • Matheus Mans

Crítica: 'Que Mal Eu Fiz a Deus? 2' tem humor ligeiro, mas ainda problemático


O longa-metragem Que Mal eu Fiz a Deus? foi um sucesso absoluto no Brasil. A comédia francesa levou 120 mil pessoas às salas de cinema, lembrando um pouco do que foi o divertido Intocáveis. Agora, a continuação Que Mal eu Fiz a Deus? 2 chega aos cinemas com o mesmo estilo do primeiro longa-metragem, apostando todas as fichas no público fidelizado da franquia.


A trama, afinal, mostra acontecimentos logo após o fim do primeiro longa-metragem. Os pais das quatro mulheres — todas, agora, casadas com imigrantes ou filhos de imigrantes — resolvem empreender a viagem pelos países de origem dos genros, como prometeram bem no finalzinho de Que Mal eu Fiz a Deus?. Mas, como sempre, as coisas não saem como esperado.


Além disso, Philippe de Chauveron, que se mantém na direção após o sucesso do filme anterior, desloca boa parte da história para falar mais sobre esses quatro genros: Chao (Frédéric Chau), Charles (Noom Diawara), David (Ary Abittan) e Rachid (Medi Sadoun). A relação dos quatro, todos oprimidos pela família "tradicional" das esposas, passa a ser mais estreita, de camaradagem.

No entanto, de Chauveron não perde tempo, também, em colocá-los em algumas situações vexatórias ou absurdas, como é típico de seu cinema. Dessa forma, pode-se dizer que Que Mal eu Fiz a Deus? 2 tem o mesmo humor ligeiro e ácido do longa-metragem anterior. Nada inesperado, visto o sucesso de Que Mal eu Fiz a Deus? e a manutenção do cineasta no filme.


Com isso, também, continua um problema já visto anteriormente: a falta de delicadeza na hora de tratar do desrespeito e, acima de tudo, do preconceito. As brincadeiras que faz com as origens dos genros — judeu, muçulmano, chinês e africano — não são de bom tom. Falta, aos franceses, rir um pouco mais de si mesmos e menos dos outros. Há exageros calculados aqui.


Por isso, é fácil ofender alguém com Que Mal eu Fiz a Deus? 2. Falta sensibilidade ao longa para fazer um humor mais afiado e, ao mesmo tempo, mais inteligente. Isso aqui é puro suco da comédia francesa, rindo dos outros e esquecendo do ridículo que existe dentro da sociedade. Mas, ainda assim, a fórmula do sucesso continua. E, quem sabe, pode tirar gargalhadas por aí.

 

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