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  • Matheus Mans

Crítica: 'Rampage' é filme escapista barato, mas que diverte


A destruição quase total do planeta é um assunto contumaz nos cinemas: desde o clássico Guerra dos Mundos, de 1953, passando por Independence Day, Armageddon, Impacto Profundo. O Dia Depois de Amanhã e até chegar aos recentes Vingadores, Transformers e o segundo longa das Tartarugas Ninja. E agora, a destruição chega em outro nível com Dwyane Johnson e um trio de animais geneticamente modificados em Rampage: Destruição Total.

O filme tem um fiapo de trama, que parece uma mistura de Planeta dos Macacos com os monstros de Jurassic World e Círculo de Fogo. Nele, Dwayne Johnson é um cuidador de primatas que vê as coisas saírem do controle no zoológico quando cápsulas contendo um gás caem do espaço e transformam George, um gorila albino, num novo King Kong. Pior: além do amigo de Dwayne Johnson, um jacaré e um lobo selvagens também cheiram o gás. Pois é.

A partir daí, o péssimo diretor Brad Peyton volta a repetir o espetáculo megalomaníaco de seu filme de maior sucesso, o terrível Terremoto: A Falha de San Andreas, numa trama repleta de problemas onde nada se sustenta: passando pelos efeitos visuais feitos de maneira desleixada, pelos personagens que parecem escritos para uma sitcon e chegando até uma trama com resoluções tão fáceis e burocráticas que impedem a imersão completa na narrativa.

Por exemplo: em determinado momento, os monstros geneticamente modificados estão atacando a cidade com toda a força. O exército está reunido e toma uma decisão péssima e desesperada pra salvar o mundo. Aí, nesse meio tempo, surge Dwayne Johnson ao lado do gorila gigante com uma ideia nascida em 30 segundos e que tem tudo para salvar a Terra da destruição. Com isso, não tem como a audiência comprar a narrativa do filme e imergir nele

O pior, porém, são as motivações por trás de tudo. A transformação dos animais não é bem explicada em momento algum e as duas mentes por trás disso são rasas e sem profundidade alguma. São caricaturas baratas de vilões e que não mostram o objetivo por trás de tudo.

Só que o filme não é uma catástrofe geral por conta de um nome: Dwayne Johnson. Ainda que o resto do elenco varie entre aceitável e medíocre (Jeffrey Dean Morgan, de Walking Dead, e Naomi Harris, de Moonlight, estão inclusos nisso), Dwayne, que parece reprisar o seu papel no ótimo e surpreendente Jumanji, possui um grande carisma que já é inerente à sua figura e que consegue transformar tramas risíveis -- como essa -- em algo a mais para se divertir.

Assim, enquanto o diretor Brad Peyton mirou na aventura e no filme de catástrofe, Dwayne acertou no humor. Rampage: Destruição Total, então, acaba sendo um filme escapistas barato e sem nenhuma qualidade técnica. Tudo nele está errado. Só se torna divertido, então, quando Dwayne Johnson surge quebrando regras da física, lutando contra um jacaré gigante e ficando amigo de um King Kong albino. A partir daí, você desacredita de tudo e se entrega para o riso e para a diversão.

Só assim para sair da sala de cinema minimamente satisfeito e sem vontade de pedir o dinheiro do seu ingresso de volta.