Crítica: 'Reflexões no Espelho', da Netflix, é comédia espanhola banal de autoajuda
- Matheus Mans

- 20 de set. de 2022
- 2 min de leitura

Que bobagem indulgente e pouco potente é a comédia espanhola Reflexões no Espelho, produção que chegou ao catálogo da Netflix nesta terça-feira, 20. Dirigido por Marc Crehuet (El rei borni), o longa-metragem tem uma premissa bem simples: falar sobre a rotina de um grupo de funcionários de uma empresa tradicional de cosméticos da Espanha em um novo momento.
A grande sacada do longa-metragem, porém, está na forma que Crehuet acompanha e aprofunda seus personagens. Como o próprio título sugere, Reflexões no Espelho mostra esses funcionários da empresa de cosméticos conversando com seus próprios reflexos. É uma forma que o cineasta encontrou de mostrar a consciência dessas pessoas na rotina de seus trabalhos.
É uma boa ideia, se executada por um bom cineasta. Não é o caso aqui, porém. Crehuet cai rapidamente em um clichê de autoajuda banal, sem nunca encontrar espaço para a profundidade do que está sendo contado aqui. São apenas discursos vazios que ecoam em tons contemporâneos, mas que aparentam ser pouco compreendidos pelo diretor da comédia.
Ao invés de provocar boas reflexões em cima dessas novas discussões sociais, Reflexões no Espelho faz comédia vazia e sem muita graça. Poderia ir além. Além disso, com exceção da protagonista Paula (Natalia de Molina), que é quem toma dianteira nas transformações dessa empresa, o longa-metragem não conta com boas atuações. O elenco parece desconfortável.
O final é uma surpresa interessante, seguindo por um caminho inusitado. Mas isso quando visto de forma individual -- se analisarmos toda a jornada do longa-metragem, com sua história aprofundando as novas relações humanas, Reflexões no Espelho acaba sendo bastante infeliz em suas opções. Será que a tristeza e a infelicidade eram as únicas saídas nessas situações?





