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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Renfield' é filme violento e divertido, mas sem coragem


Sabe quando alguém é grosseiro com outra pessoa e, depois, para se justificar e evitar o confronto, diz que era brincadeira? Falta coragem: é mais fácil falar pelas costas do que na frente; é mais difícil assumir o que disse do que, depois, brincar que é piada. E é justamente essa dinâmica que acontece com Renfield: Dando o Sangue Pelo Chefe, estreia de quinta, 27.


Dirigido por Chris McKay (A Guerra do Amanhã), o longa-metragem conta a história de Renfield (Nicholas Hoult), o eterno assistente do Drácula (Nicolas Cage). E como entra essa dinâmica que falei no começo? Simples: o filme, que se encaixa na categoria de terrir (riso + terror), é exageradamente violento. Sangue para todos os lados. Mas há receio em assumir essa faceta.


Por isso, McKay nunca deixa a violência tomar conta 100%. Ele esconde exageradamente as cenas mais visuais com um humor que, muitas vezes, não encaixa. Ser uma comédia de terror é deixar os dois gêneros coexistirem, não rivalizarem. O cineasta, com medo de pesar muito a mão, não segue esse cartilha básica e acaba fazendo um filme que fica na corda bamba.

Essa falta de foco e decisão também reverbera no elenco: enquanto assistia a Renfield: Dando o Sangue pelo Chefe, só conseguia pensar em com queria mais Cage e menos Hoult. Não que o ator de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido não esteja bem, pelo contrário. Mas ver Cage (Pig) em um dos papéis mais emblemáticos da história (e se saindo muito bem!) é legal demais.


Com isso, mesmo quando a cena era boa, ficava um pouco triste quando o foco do roteiro de Ryan Ridley (Ricky and Morty) e Robert Kirkman (Invencível) era no personagem-título ou na policial interpretada genericamente por Awkwafina. Afinal, mesmo sabendo da proposta de contar a história a partir de outra perspectiva, não tem como não se empolgar com Nic Cage.


No final, assim, fica um gosto agridoce. Renfield: Dando o Sangue pelo Chefe não é ruim, mas há um filme muito melhor abaixo de todas as camadas que assistimos nos cinemas: seja pelo lado dos personagens, seja pelo lado da história, seja pelo lado do tom adotado por McKay. Conseguimos nos divertir com o filme que estreia nesta quinta. Mas poderia ser memorável.

 

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