• Matheus Mans

Crítica: 'Revelação' é documentário poderoso da Netflix


No começo de junho, uma polêmica se instaurou nas redes sociais: o longa-metragem ...E O Vento Levou foi retirado temporariamente do serviço de streaming HBO Max. Voltaria ao catálogo, dali alguns dias, com um aviso de "conteúdo datado" e a explicação de uma professora sobre os problemas existentes na produção clássico. Essa é a chamada ressignificação.


Agora, o documentário Revelação, original e exclusivo da Netflix, fala com um grande grupo de artistas, roteiristas e diretores transsexuais. Assim, o filme do cineasta Sam Feder (do documentário Boy I Am) busca entender, compreender, analisar e ressignificar a presença da comunidade transsexual em filmes como Meninos Não Choram, Paris is Burning, dentre outros.


Dessa forma, o filme se comprova como uma produção necessária e urgente. Afinal, desde a invenção do cinema -- sim, naquela época já retratavam cross dressers -- a representação das pessoas trans é feita de maneira torta, por vezes preconceituosa. Esse olhar da comunidade para a comunidade, dialogando com todo o público, é praticamente uma utilidade pública.

Os depoimentos, felizmente, são todos poderosos e feitos sob medida. Ainda que um tanto quanto repetitivos em forma e conteúdo, o que acaba tirando alguns pontos da produção, todas entrevistas ali trabalham em prol deste novo entendimento. Destaque, principalmente, para os relatos de Laverne Cox (Orange is the New Black) e Bianca Leigh (de Transamérica).


Outra coisa que desaponta um pouco é a falta de profissionais e visões para fora do circuito dos EUA. O longa passa imagens de Uma Mulher Fantástica, por exemplo, mas não entrevista a atriz latina. Nem mesmo a diretora francesa Céline Sciamma, que tem se debruçado sobre o tema e falou com propriedade sobre sexualidade e transsexualidade no curto e poderoso Tomboy.


Mas isso, de alguma maneira, são detalhes. Revelação, no geral, mostra mais uma vez que a Netflix sabe como comandar bons documentários, com temas atuais, necessários, urgentes. É um filme que precisa ser assistido, refletivo, debatido. Afinal, a representatividade e a ressignificação se tornam cada vez mais necessárias. Corra pra Netflix. E assista. Sem falta.

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