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  • Matheus Mans

Crítica: 'Ruivaldo' alerta para deterioração do Pantanal


A mata brasileira está morrendo. A Atlântica, na região sudeste, se limitou a pequenas manchas na paisagem cinza. A Amazônica, enquanto isso, está sendo cada vez mais explorada por governos com interesses escusos e um agronegócio desolador. No Cerrado, a situação está cada vez mais desesperadora. E, agora, Ruivaldo: O Homem que Salvou a Terra alerta pro pantanal.


A região, um dos mais lindos biomas brasileiros, está vendo suas paisagens morrerem. Rios estão secando, áreas alagadas estão se tornando pântanos e animais estão sumindo. A partir disso, o diretor Jorge Bodanzky se vale de uma série de depoimentos, histórias e imagens que mostram esses efeitos e, principalmente, destaca o papel de alguns ativistas na proteção.


No foco, Ruivaldo Nery de Andrade. Um homem que, apesar de tudo e apesar de todos, defende sua terra e enfrenta uma luta diária para sobreviver diante das consequências do assoreamento do Rio Taquari. É uma história potente e um personagem cativante, que mostra a luta individual de pessoas que vivem à margem e, mesmo assim, encontram forças para defender a natureza.

Bodanzky acerta ao trazer um potência natural e impactante à fotografia, que sabe misturar os elementos da natureza com a tristeza de paisagens morrendo. É difícil não se emocionar com tudo que é contado nas telas e com a história, que cria um interessante diálogo com o excelente documentário Ser Tão Velho Cerrado. Assistir aos dois filmes, em sequência, é poderosíssimo.


No entanto, é uma pena, falta uma robustez narrativa ao filme. A sensação é de que a produção se contenta em ser pequena. Uma história mais coesa, tratada de maneira criativa -- como é o caso de Ser Tão Velho Cerrado -- poderia fazer com que Ruivaldo fosse além de um filme-denúncia para ser, de fato, um cinema potente e com potencial de atingir diversos públicos.


Mas, ainda assim, no geral, há uma história interessante em Ruivaldo: O Homem que Salvou a Terra. Os alertas sobre a morte do pantanal causam perplexidade, tristeza. E como diz um dos entrevistados, a certa altura do documentário, "corremos o risco de destruir o pantanal antes de conhecê-lo". Agora, é preciso correr contra o relógio e apoiarmos mais Ruivaldos por aí.


OBS.: O 'Esquina' está fazendo a cobertura completa da 9ª Mostra Ecofalante, que acontece totalmente online até 9 de junho. Acompanhe-nos nas redes sociais para mais atualizações.


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