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  • Matheus Mans

Crítica: 'Sanctorum' emociona e entendia ao criar panorama da sociedade mexicana


Sanctorum começa com um ruído, um grito altíssimo vindo da floresta. O que está fazendo esse barulho? Alguma criatura? Ou será a própria natureza reagindo às violências contra seus povos? É essa dúvida, junto com uma história potente sobre sociedade mexicana e violência, que acompanhamos ao longo de Sanctorum, longa-metragem chega aos cinemas nesta quinta, 21.


Dirigido e roteirizado por Joshua Gil, o longa-metragem segue um caminho místico, até mesmo com o pé na fantasia e no folclore mexicano, para falar sobre exploração de seu povo. No entanto, não é feito aqui um exame social ou antropológico como no colombiano Pássaros de Verão. Gil, na verdade, despersonaliza seus personagens para focar no etéreo, no abstrato.


Afinal, aqui, os traficantes que oprimem os indígenas são integrados numa naturalidade desconcertante -- não há, afinal, a problematização imediata dessa opressão. O que Gil aparentemente busca por aqui é um mergulho social e espiritual nas raízes da formação do estado mexicano, gerando efeitos até os dias atuais. É o grito da floresta, o desespero.


Há uma emoção pungente nascendo dessa urgência de Gil, que recorre principalmente à fotografia para impressionar. Há cuidado na criação visual assinada pelo próprio diretor e por Mateo Guzmán. Percebe-se, afinal, que a maneira que a mensagem abstrata é transmite ganha dependência imediata da fotografia para ser sentida por quem está do outro lado da tela.


Uma pena que nenhuma história tome conta da narrativa como deveria. A narrativa do menino em busca da mãe, por exemplo, não ganha as telas com a força necessária -- tudo é muito aberto, muito pouco definido. Isso faz com que o filme não acompanhe a beleza com o ritmo necessário. Tudo é muito lento, cansativo e até mesmo um tanto quanto entediante.


Assim, Sanctorum é um dos filmes mais bonitos visualmente do ano. A forma que o abstrato chega, por essas impressões visuais e imagéticas, funciona. No entanto, faltou para Gil um pouco mais de cuidado e atenção na história. As ideias são boas e é interessante falar sobre a formação da sociedade, suas raízes. Mas será que não poderia ser um pouco mais pungente?


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