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  • Matheus Mans

Crítica: 'Segredos do Putumayo' é filme necessário sobre genocídio indígena


Último filme exibido para a imprensa na competição nacional do É Tudo Verdade 2020, Segredos do Putumayo não poderia encerrar a mostra em melhor forma. Afinal, este longa-metragem de Aurélio Michiles é um daqueles filmes-denúncia que, mesmo com uma história que olha para um passado distante, nos ajuda a pensar do presente e futuro.


Afinal, na trama deste documentário, acompanhamos detalhes da expedição do irlandês Roger Casement. Com uma narração ininterrupta, com leituras do diário do europeu, entendemos e mergulhamos nos horrores da escravidão indígena no início do século XX. Era uma empresa inglesa, no coração da Amazônia, que colocava esses povos no limite.


Dessa forma, Segredos do Putumayo nos causa um misto de sensações. Raiva, tristeza, vergonha. Tudo isso explode logo que o contexto dessa história de Casement nos é mostrado. Depois, também sentimos preocupação. Afinal, ainda que Michiles olhe para o passado, há muitos paralelos dessa história do século XX com o que vemos hoje.

É um filme potente, ainda que lento e contemplativo, que nos transporta para outra época que ainda ressoa. Naquela época, obviamente, o genocídio indígena -- tão brilhantemente retratado por Casement -- era mais violento, mais “aberto”. Agora, esse genocídio surge por meio de canetadas e atuações fascistas de governos incompetentes e criminosos.


Uma pena, porém, que fique a sensação de que Segredos do Putumayo esteja mais preocupado em falar sobre a história do irlandês do que de nossos próprios povos. Há uma falta de tom, uma falta de coerência narrativa. Obviamente, Casement é importante e fez um trabalho brilhante de direitos humanos. Mas falta jogar luz sobre esses povos.


Isso não estraga totalmente a experiência, ainda que cause certo desconforto. No geral, assim, Segredos do Putumayo traz de fato histórias esquecidas do passado e que merecem ser reencontradas. Assim como Libelu, também do É Tudo Verdade 2020, é um daqueles filmes que precisamos ver. Só olhando para o passado podemos melhorar nosso presente.

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