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  • Matheus Mans

Crítica: 'Shade: Entre Bruxas e Heróis' é adorável retrato da infância


Atire a primeira pedra quem nunca sonhou em ser um super herói ou ter forças sobrenaturais quando criança. A criação de um mundo fantástico costuma ser um recurso benéfico durante a infância, pois não apenas oferece uma espécie de refúgio ao mundo real, como estimula, e muito, a criatividade. Com Jovan (Mihajlo Milavic), protagonista do longa-metragem Shade: Entre Bruxas e Heróis, a situação é a mesma, ainda que um pouco mais extrema. Com 10 anos de idade, o garoto ainda sofre sequelas de uma paralisia cerebral e, portanto, é submetido à uma série de exercícios de fisioterapia diária, que acabam por tirar seu tempo de ser criança. É sua frustração que o faz criar a Cidade Fantasma, cenário em que ele é um super-homem chamado Shade.

O filme sérvio acerta em cheio quando se propõe a retratar a infância da forma mais natural possível. Na escola, Jovan conhece Milica (Silma Mahmuti), uma garota com personalidade fortíssima e que sofre provocações dos outros colegas de sala. O fato de ambos serem excluídos é o que os fortalece para uma amizade que aquece o coração de qualquer espectador.

A menina conta à Jovan que seu pai foi amaldiçoado por uma bruxa, que o fez sair de casa e abandonar sua família. O modo de encarar um divórcio pelos olhos de uma criança, ainda mais quando mal explicado pelos pais, reflete na perspectiva de mundo idealizada que a maioria das crianças têm. Os dois resolvem ir atrás da bruxa, e o caminho para isso lembra muito a jornada de um herói.

O que o diretor Rasko Miljkovic se propôs a fazer em Shade: Entre Bruxas e Heróis foi justamente mostrar a maneira mais crua de uma fantasia infantil, de forma que cativasse o público. Jovan é o que mais se destaca, sendo o típico garoto bonzinho que não tem culpa de sua condição. No entanto, ambos têm de enfrentar seus próprios medos, mesmo que para isso precisem se refugiar em uma realidade alternativa -- a fantasia. Alguns momentos podem ser emocionantes, enquanto outros são muito forçados para escancarar a superação do garoto. Mesmo assim, expõe na tela um retrato muito bonito da infância, sem ser infantil.