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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Shirley para Presidente', da Netflix, é cinebiografia importante e óbvia



Assim como Rustin, o novo Shirley para Presidente é um filme necessário sobre a política dos Estados Unidos. Ainda que o país norte-americano nada tenha a ver com nossa vida aqui nos trópicos, ambos os filmes falam sobre personagens que quebram as expectativas de uma sociedade branca e machista, com pessoas -- nos bastidores ou não -- rompendo preconceitos.


Enquanto Rustin fala sobre o conselheiro de Martin Luther King Jr., homem negro e gay, o novo filme da Netflix fala sobre Shirley Chisholm (Regina King), primeira mulher negra congressista nos Estados Unidos e, depois, primeira mulher negra a concorrer nas prévias para presidente. É um passo e tanto dado por essa mulher, anteriormente professora, que muda paradigmas.


Obviamente, ao dar esse passo, Shirley sofre muito. John Ridley (Agulha no Palheiro Temporal), que assina direção e roteiro, trabalha em prol de mostrar as complicações desse caminho -- os problemas de segurança, a complicada relação com a mídia, o desgaste da relação com o marido, a forma que era vista por ser mulher, os problemas internos em sua campanha, etc.



Ou seja: é um filme que mostra um vislumbre da História, que mostra como uma personagem importante (e pouco conhecida pros lados de cá) ajudou a criar caminhos para que outras mulheres negras pudessem concorrer à presidência. Um filme importante, claro. Mas é bom?


Ridley tem consciência da importância da história que tem em mãos e parece um tanto quanto paralisado em buscar caminhos. Afinal, oras, como ele pode mexer na história de Shirley Chisholm? Parece que há um desejo genuíno em honrar a política e, com isso, medo de errar na mensagem. É preciso celebrar Shirley acima de tudo -- acima até de fazer um bom filme.


Shirley para Presidente, assim, acaba sendo um filme exageradamente quadrado, sem qualquer arroubo criativo, contando a história passo a passo, como se fosse um filme inspirado na página da Wikipédia de Shirley. Até mesmo a atuação de Regina King é fraca -- ela, que já trouxe grandes atuações Ray e Se a Rua Beale Falasse, faz quase uma imitação de Shirley. Cria pouco.


Assim, de novo: Shirley para Presidente é um filme inegavelmente importante, que deixa a história de Chisholm marcada no audiovisual. No entanto, é covarde em sua criação, seguindo o bê-à-bá básico desse tipo de história, se aproximando do banal Rustin e se afastando de outras grandes cinebiografias similares, como Malcolm X. Uma pena. Tinha muito potencial.


 

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