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  • Matheus Mans

Crítica: 'Slalom: Até o Limite' traz temas pesados de maneira crua e fria


Que difícil é a experiência de assistir Slalom: Até o Limite. Produção francesa com a assinatura da diretora Charlène Favier (Omessa), o longa-metragem fala sobre uma garota (Noée Abita) que acaba de entrar em uma equipe de esqui de alta performance. Nessa sua jornada inicial, ela acaba sendo muito cobrada pelo treinador (Jérémie Renier) para ter um rendimento altíssimo.


E é aí que as coisas começam a seguir por um caminho difícil. Treinador e atleta se aproximam. Ele tem esposa, é mais velho. Ela tem apenas 15 anos. A relação se estreita. E é aí que Slalom: Até o Limite mostra o que realmente quer contar ao longo de pouco mais de 90 minutos. Nada de treinos e competições de esqui. A produção é sobre pedofilia e abuso moral e sexual.


Favier, assim, nos insere ao pouco nessa água escaldante, como se fossemos caranguejos presos em uma panela no fogo. A trama vai esquentando, ficando ardida. Renier (O Amante Duplo) está espetacular em tela como esse homem criminoso e sem escrúpulos. Mas, é Abita, com pouca experiência nos cinemas, que rouba a cena: está frágil, triste, preocupada.

Para dar o tom, a diretora decide tratar a história com a mesma frieza das competições de esqui. Tudo é envolto em um distanciamento desconcertante, que incomoda. Os registros dos abusos são crus, brutais. Não há preocupação por parte do filme. Ele joga aquelas situações no colo do público, que precisa lidar com essas situações que vão transcorrendo na tela.


Favier, que assina o roteiro junto de Antoine Lacomblez e Marie Talon, peca principalmente com algumas questões mal resolvidas -- a relação com a amiga, com os pais e por aí vai. Um pouco mais de desenvolvimento nessas subtramas não faria mal e deixaria tudo mais coeso, tapando alguns furos que surgem aqui e acolá. Não chega a realmente atrapalhar, mas falta coesão.


Além disso, a falta de proximidade com a personagem causa um distanciamento complicado também entre público e filme. Quando há diminuição no ritmo da produção, o interesse pela história acompanha a decaída. É ruim para a experiência no geral. Mas, ainda assim, Slalom é impactante e, mesmo com uma história levemente repetida, é importante e urgente.


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