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  • Matheus Mans

Crítica: 'Sol' é bom filme sobre família de Lô Politi


Depois de falar sobre um amor delirante em Jonas e sobre a rotina do Palácio da Alvorada no documentário Alvorada, dirigido em conjunto com Anna Muylaert, a cineasta Lô Politi agora se volta para a família — mesmo que disfuncional e cheia de problemas — no interessante Sol. O drama, ainda sem data da estreia, está na programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema.


A trama é bem simples: Téo (Rômulo Braga), que está passando um tempo com sua filha, fruto de um casamento já acabado, começa a receber ligações inesperadas. Logo descobrimos que são pessoas tentando falar com ele sobre o estado de saúde de Theodoro (Everaldo Pontes), pai com quem Téo há muito tempo não conversa. É a junção do destino, uma trama de pai pra pai.


Só que, na direção, está Politi. Ela, com uma sensibilidade não vista antes em Jonas ou Alvorada, insere elementos comuns do drama familiar para desenvolver a história. É a tentativa quase desesperada do pai criar laços com a filha, é a belicosidade de Téo e Theodoro — dois homens que, além da ligação genética, ainda carregam mesmo nome. Téo o aposentou. Theodoro se cala.

Já os elementos de road movie vão chegando aos poucos, conforme pai e filha precisam encontrar um destino para o avô, combalido por conta da vida. Há algumas sacadas interessantes, como o apego do velho pela carranca de madeira. Mostra uma ligação com um passado que não diz muito sobre Téo, o que acaba repelindo ainda mais os dois personagens.


Apesar desses bons momentos, porém, Sol recai em alguns maneirismos narrativos complicados, como algumas facilitações narrativas envolvendo a família e, até mesmo, formas de mostrar como os tais personagens estão lidando com essa situação desconfortável. Até mesmo a figura da água (que limpa, mas mata) acaba sendo um recurso um tanto quanto óbvio.


Mas, pra finalizar a conversa, Sol é um bom filme de Politi. O drama chega em doses certas e, acima de tudo, há um cuidado nas atuações: Braga (Elon Não Acredita na Morte) e Pontes (São Jerônimo) elevam a narrativa — mesmo com este último falando apenas um punhado de frases ao longo de todo o filme. Filme sobre paternidade e, acima de tudo, sobre o que é ser família.


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