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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Sombras de um Crime' é noir elegante, mas com história fraquíssima


Quando assisti ao trailer de Sombras de um Crime, em uma das várias cabines de imprensa que fui da Diamond Films, fiquei prontamente empolgado. É, afinal, um suspense noir ambiente na Los Angeles da Era de Ouro de Hollywood, protagonizado por Liam Neeson (Busca Implacável) e com uma direção que, em um primeiro momento, parece ser inspirada, bonita, elegante.


E de fato: a estreia dos cinemas desta quinta-feira, 23, realmente tem esse charme todo. Muito por conta de Neil Jordan, o cineasta de Traídos pelo Desejo e que assina a direção deste aqui. Ele, com seus mais de 20 filmes no currículo, sabe como criar um bom clima de filme noir: tem boas sacadas de movimentos de câmera e a ambientação funciona, convence e se aprofunda.


Muito disso também por conta da fotografia, muito calcada em cores amarelas e de verão, de

Xavi Giménez (O Operário). Ainda que um tanto quanto óbvia, ajuda a criar a ambientação.

Tudo isso para contar a história de Philip Marlowe (Neeson), um detetive particular que é contratado por uma jovem elegante (Diane Kruger), filha de uma estrela de cinema (Jessica Lange), que quer descobrir o que aconteceu com o amante. Aparentemente, ele foi atropelado na saída de um clube de luxo, mas ela acredita que o viu depois disso. Trama interessante, não?


Mas os pontos positivos, basicamente, param por aí. Sombras de um Crime tem um roteiro que é absolutamente tenebroso: em essência, a história desenvolvida por Jordan, William Monahan e John Banville não tem polpa, só casca. Ao longo de seus mais de 100 minutos, o longa-metragem mostra Marlowe indo pra lá e pra cá, perguntando se alguém viu o tal defunto por aí.


E só. Não há um real desenvolvimento na forma que a investigação avança e Neeson, coitado, não tem material para trabalhar. Ele vai para um lugar, faz perguntas; vai para outro, faz mais algumas perguntas. Às vezes, precisa trocar alguns sopapos. Mas é isso. Com uma trama tão morna e sem vida, até mesmo o mistério acaba ficando absolutamente chato e desinteressante.


A forma como o mistério é solucionado, lá nos últimos 20 minutos, é exemplo da preguiça do roteiro. Tudo é revelado em um piscar de olhos, de uma vez só, sem qualquer tipo de construção cuidadosa de história. Chega a ser tosco. E assim, Sombras de um Crime é mais um filme de investigação que ninguém, talvez nem mesmo o elenco, vai se lembrar daqui algum tempo.

 

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