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  • Matheus Mans

Crítica: 'Sonic' é diversão familiar irreverente


Após o fiasco do primeiro visual do Sonic, a sensação é que o filme sobre o ouriço azul mais famoso dos videogames seria um desastre. Afinal, é aquela máxima que surgiu com Cats: se nem os efeitos visuais são aceitáveis, num filme de grande estúdio e orçamento invejável, o que mais pode dar certo? O fato é que Sonic virou o jogo e conseguiu surpreender nos cinemas.


Dirigido por Jeff Fowler (do simpático curta Gopher Broke), o longa-metragem conta a história do ouriço azul depois que sair de sua terra natal e, tal qual um refugiado, vem se esconder na Terra. Ele vive nas sombras, apenas observando a vida mundana, até que um estranho cientista, o dr. Robotnik (Jim Carrey), inicia uma caçada pelo alienígena veloz ao redor dos Estados Unidos.


Tenta salvar seu pescoço, Sonic acaba cruzando caminhos com o xerife Tom Wachowski (James Marsden) e, juntos, buscam maneiras de recuperar a tecnologia para conseguir fugir dos EUA.


Irreverente e sem nunca se levar a sério demais, Sonic acerta no tom. Lembrando Detetive Pikachu em alguns aspectos, há um humor peculiar -- e, por vezes, agressivo -- que ajuda o público a entrar na história. As crianças vão se divertir com as peripécias do ouriço, enquanto os pais vão entender as piadas mais pesadas, sem se constranger frente às crianças na sala.

O grande ponto, porém, é que Sonic sabe como aproveitar a aura do videogame. Ao contrário de outros filmes baseados em jogos, como Assassin's Creed, Tomb Raider e afins, o longa-metragem do alien-ouriço sabe se distanciar da história dos videogames, ao mesmo tempo que homenageia. Fãs mais fervorosos vão rir, identificar easter eggs e sentir a nostalgia natural.


Enquanto isso, os fãs que não entendem muito do clássico jogo da Sega vão continuar se divertindo. Afinal, em nenhum momento o roteiro se prende demais ao que o jogo propõe.


O elenco todo está surpreendentemente bem -- incluindo James Marsden, que se saiu bem contracenando o tempo todo com um personagem de CGI. Mas Sonic é de Jim Carrey. Com aquele ar típico de suas produções dos anos 1990, o ator está alucinado. Tem momentos de pura gag visual, outros de piadas mais elaboradas. O fato é que dar pra rir, e muito, com Robotnik.


É claro: os clichês estão espalhados por toda a trama. A própria jornada de Sonic, sendo um alien que precisa fugir do governo que quer capturá-lo, é mais antiga do que andar pra frente. A proximidade do visual de Sonic com Detetive Pikachu também chama a atenção -- ainda que seja melhor isso do que aquele Sonic estranho e desproporcional que vimos no primeiro trailer.

#Crítica #Aventura #Cinema #Filme