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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Suzume' é animação japonesa sensível, emocionante e criativa


Vamos começar aqui com uma confissão: não sou um grande fã de animações japonesas de fora do Studio Ghibli. Filmes como Your Name, ainda que reconheça a beleza da produção, não me atraem, não me causam o impacto esperado. Não me emocionam. Por isso, fui com os dois pés atrás para assistir a Suzume, animação japonesa que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 13.


Dirigido e roteirizado por Makoto Shinkai (de Your Name e O Tempo com Você), o longa-metragem conta a história de Suzume, uma garota que leva uma vida bucólica no interior do Japão ao lado da tia, com quem mora desde a morte da mãe. Sua vida muda drasticamente, porém, quando o jovem, atraente e misterioso Sota aparece em sua vida. Quem é ele?


Ele aparece correndo numa estrada perguntando sobre um local abandonado. O que ele vai fazer lá? Depois de um tempo pensando nisso, Suzume resolve ir lá ver com os próprios olhos. E é aí que ela entra em uma espiral de fantasia, conhecendo um mundo abaixo do Japão de demônios e criaturas divinas que entram em embate para proteger o país oriental de abalos.


É uma história que conversa com a mitologia japonesa, acerca do mito da criação e, acima disso, sobre lendas que andam de mãos dadas com os terremotos que afetam a sociedade japonesa. Suzume, uma garota normal, entra de cabeça nisso ao lado de Sota -- que, por conta da magia de uma dessas criaturas mágicas que existem por ali, está transformado em uma cadeira.

Ainda que a fantasia tenha um papel central aqui, lembrando o que de melhor faz o Studio Ghibli quando está inspirado, não é essa a principal história de Suzume. O filme fala, essencialmente, sobre relações: de Suzume com Sota, com a tia, com a mãe, com as pessoas que cruzam o seu caminho enquanto tenta proteger o Japão de um terremoto fatal e com seu amigo Sota-cadeira.


Shinkai, de maneira quase imperceptível, coloca profundas camadas emocionais nessa história que vão se interconectando, se misturando e, no fim, causam aquela explosão inesperada -- ainda que o formato cíclico do roteiro não seja tão inspirado quanto A Chegada, por exemplo, ele tem seus méritos. Surpreende, mostra a complexidade da personagem Suzume e por aí vai.


Outro ponto surpreendente: o bom humor do filme. Não há aquele marasmo que vemos em outras produções japonesas animadas, geralmente bucólicas e que ficam apreciando a paisagem, mas há sacadas divertidas e que mostram como Suzume sabe mesclar as emoções corretamente. Em um momento estamos emocionados, no outro rindo. E tudo funciona bem.


Destaque também para a dublagem brasileira: não só conseguiram passar toda essa emoção com um trabalho de voz primoroso, como também abrasileiraram algumas passagens da maneira certa. Não pesa demais na experiência do filme e consegue dar leveza em outros momentos -- a passagem com o amigo de Sota, por exemplo, é particularmente hilária.


Suzume, assim, é uma das boas surpresas de 2023. Sabe trazer emoções na tela, tem um roteiro coeso e, apesar de algumas repetições narrativas, não perde o espectador em saídas que não fazem sentido para o que está sendo contado. É um filme maduro, muito emocional, e que mostra como boas histórias podem ser encontradas em qualquer lugar e qualquer gênero.

 

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