• Matheus Mans

Crítica: ‘The Titan’, da Netflix, é ficção científica repleta de falhas


Poucas coisas são tão tristes no cinema quanto ideias boas desperdiçadas. E The Titan, novo filme da Netflix, é mais uma produção que entra nessa lista. Dirigida pelo estreante Lennart Ruff e estrelada pelo rei das bombas Sam Worthington (de Avatar e A Cabana), o filme tenta mostrar como seria os efeitos reais de um experimento científico, numa pegada parecida do sueco Blue My Mind. Mas que decepção! The Titan erra no tom, no gênero, nas atuações e no roteiro inteiro.

Baseado numa história de Arash Amel (do terrível Grace de Mônaco) e escrita pelo roteirista Max Hurwitz (da bomba Hell on Wheels), The Titan começa mostrando a dinâmica da família que vai ver a vida mudar. Afinal, o patriarca Rick Janssen (Worthington) aceitou participar de um experimento científico para ir embora da Terra, que está em colapso, pra ir morar numa lua de Saturno -- a tal Titã, que acaba dando título ao filme. A partir daí, alterações no corpo começam a acontecer.

Como falamos no começo da crítica, a ideia é boa. É interessante humanizar processos que sempre ficam restritos à ficção científica -- foi até o que o diretor Josh Trank tentou fazer com Quarteto Fantástico, mas foi atrapalhado pelo estúdio. O visual do filme, comandado e pensado pelo pouco experiente Julian R. Wagner, agrada e a criatura que vemos criada em tela é interessante. O elenco também está operante: desde Worthington, passando por Tom Wilkinson (A Escolha) e chegando até Taylor Schilling (Orange is the New Black), que acaba assumindo o protagonismo.

Só que os pontos positivos param por aí. O roteiro de Hurwitz é tenebroso: repleto de falhas e furos de roteiro, ele não consegue se sustentar em 90 minutos de filme. Por exemplo: os participantes do projeto aceitam ser cobaias de um experimento biológico, mas estranham quando identificam reações. Ou pior: por qual motivo foi escolhida a lua Titã? Nada nela faz a tarefa da mudança de planeta se tornar mais fácil. Pelo contrário: ela é distante, inóspita, pouco explorada.

Os problemas de roteiro ficam piores nos cinco minutos finais, quando são ignoradas todas leis da física. E não importa que o longa-metragem se passe daqui 15 anos. Como o nome já diz, são leis da física. Não são teorias. Não são possibilidades. São leis e assim serão para o resto da vida.

E a direção de Lennart Ruff é perdida. O filme começa como uma ficção científica, depois se perde numa trama de suspense -- que lembra, pasmem, Casa de Vidro -- e acaba caindo em um filme de ação e perseguição. Se o cineasta tivesse, pelo menos, mantido o tom da trama e não se desviado, o filme poderia ser minimamente aceitável. Uma pena que tenha virado a bagunça que virou.

The Titan, afinal, é um caos narrativo e que faz físicos e estudiosos chorarem de tristeza. É vergonhoso e um desserviço ao cinema e à ciência. Fica a tristeza, então, de uma boa ideia jogada no lixo. E aí fica, novamente, a questão: o que a Netflix faz com tantos filmes ruins?

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