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  • Bárbara Zago

Crítica: 'Todos Já Sabem' é thriller de conteúdo e com grande elenco


Aventurando-se em território estrangeiro, o iraniano Asghar Farhaid (O Apartamento) se propõe a sair de seu país de origem para contar a história de um filme que se passa na Argentina -- e com um respeitável elenco, diga-se de passagem, que inclui atores como Penélope Cruz (Volver), Javier Bardem (Mãe!) e Ricardo Darín (O Segredo dos Seus Olhos). Agora, em Todos Já Sabem, Farhaid mostra bem o desmoronamento de uma típica família burguesa através de um thriller de pouco mais de duas horas.

Com o casamento da irmã, Laura (Penelope Cruz) e toda a família se reúnem para aquilo que seria uma celebração. O que acontece, no entanto, é o sequestro de Irene (Carla Campra). Para que a família tenha a jovem de volta, os sequestradores exigem uma quantia de dinheiro que acaba por desconstruir toda a ideia da família rica ideal. Entre diferentes coisas que vêm à tona, a principal delas é o passado amoroso de Laura e Paco, interpretado por Javier Bardem. Ainda que apresente um aspecto novelesco, o filme consegue manter-se como um suspense dramático.

O título Todos Já Sabem é uma espécie de provocação àquela situação: ao mesmo tempo em que a família parece ter todo o controle em mãos, basta uma situação fora do comum para fazer tudo desandar. Mais do que isso; o título vai muito além do fato de todos saberem que Laura e Paco eram namorados quando mais novos. Na verdade, diz respeito também ao cenário criado pelo filme, como se todos os personagens pudessem ser igualmente culpados.

Farhaid consegue contar uma história intrigante, porém por vezes até demais. Alguns aspectos são levantados, mas não explicados ao espectador. O filme parece tentar abordar muitos motivos que podem levar ao sequestro, mas nem todos são bem desenvolvidos. Mesmo assim, o ponto alto acaba sendo Cruz e Bardem que, não apenas são casados na vida real, como conseguem transmitir essa química para as telas. Ambos são personagens bem apresentados, com peculiaridades que cabem ao julgamento de quem assiste.

A constituição familiar também é um ponto importante -- até porque, o filme fala sobre isso afinal das contas. Cada membro da família é apresentado ao longo da história, porém acaba sendo confusos em algumas vezes, tirando a atenção do público que o assiste. Quem presta um pouco menos de atenção no roteiro, pode ter dificuldades de entender quem é parente de quem, tornando o filme cansativo.

Mesmo com defeitos, a história de Farhaid é interessante e se prova como um thriller de conteúdo. O elenco é o grande ponto alto do filme e acaba por sustentá-lo na maior parte do tempo. Para os fãs do gênero, é uma surpresa bastante agradável, pois o drama se torna um grande aliado neste caso. Ainda que seja mais longo do que deveria, é um dos acertos da Paris Filmes para 2019.