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  • Bárbara Zago

Crítica: 'Traffik' prende o espectador, porém tem trama muito rasa


“É o segundo negócio mais lucrativo depois de armas”, diz o personagem de Darren, interpretado por Laz Alonso, ao descobrir que estava se deparando com nada menos que um tráfico de pessoas. O novo longa-metragem de Deon Taylor, Traffik: Liberdade Roubada, traz uma história real de forma bastante intensa e medonha, fazendo jus ao que sua temática representa. O que começa com o grande clichê do final de semana romântico nas montanhas acaba por ser aterrorizante até para os mais desinteressados.

Traffik tem seu início bastante semelhante ao recente Vingança: o casal que se instala em uma casa isolada, que pertence à algum chefe do trabalho, e são surpreendidos por visitantes inesperados. Quem leva em consideração somente o começo, percebe-se entediado com uma história previsível somada de atores um pouco superficiais. No entanto, quando Taylor se propõe à introduzir o tráfico humano no filme, faz isso de forma tão realista e angustiante que o espectador é inevitavelmente tomado.

Ainda seguindo o estilo de Vingança, Traffik parece focar apenas na aparência física de Brea (Paula Patton): closes em seu corpo e constantemente enaltecendo sua beleza, o que dá um tom monótono e até sexista ao filme. Quando ela e John (Omar Epps) são abordados por homens que comandam o tráfico, todo o erotismo se perde e é transformado em pavor e desespero. E, apesar de ser um filme com pouca história, o recurso funciona, e muito bem.

Filmes que se propõe a retratar grandes problemas sociais já internalizados, como é o caso do próprio tráfico humano, sob a ótica da vítima, costumam se aprofundar no assunto e gerar resultados belíssimos. E é exatamente nisso que Traffik sai prejudicado; apesar da história forte e emocionante, acaba sendo tão rasa que causa pouco impacto em que assiste.

É interessante perceber como alguns negócios são tão lucrativos que ultrapassam qualquer limite ético, e, quanto a isso, Taylor soube demonstrar muito bem, trazendo uma reviravolta incrível à história em determinado momento. Mas, de resto, pouco se cria empatia com os personagens principais, inclusive com Brea que assume o papel de heroína, o que enfraquece o filme consideravelmente. Funciona muito bem como um filme de tensão, mas chega a ser uma pena o fato de deixar tão rasa uma história com tanto potencial.