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  • Matheus Mans

Crítica: 'UFO', da Netflix, é filme simpático e nem um pouco memorável


Chega a ser interessante como a Netflix tem uma dificuldade tremenda de sair de uma zona de mediocridade. Seus filmes originais, na maioria das vezes, não conseguem ultrapassar a barreira do mediano -- sem falar quando são realmente ruins, sem qualquer tipo de ponto a ser elogiado. É uma montanha de filmes que se acumula em seu acervo, apenas servindo ao algoritmo e tentando convencer as pessoas de que há algo de especial ali. UFO é mais um caso.


Longa-metragem turco, UFO não é uma história sobre aliens, ainda que a metáfora (bem pobre, diga-se de passagem) fale sobre essas pessoas que se sentem verdadeiros extraterrestres na Terra. No caso, o foco é Deniz (Ipek Filiz Yazici), uma jovem estudante de música que se apaixona por um motociclista simples (Mert Ramazan Demir). É a típica história Romeu e Julieta: duas pessoas absolutamente se encontram no amor, mas forças externas insistem em separá-los.


Há algo de simpático no longa-metragem, como a gana dos personagens em insistir e investir no amor. Dá para comprar a ideia do "romance proibido" e embarcar em uma torcida por eles.


No entanto, para por aí. UFO é um filme que investe insistentemente em clichês e mesmices que já vimos aos montes por aí. Não exatamente a história em si (que sim, também já é contada desde Shakespeare), mas na forma de fazer aquela trama ganhar vida. Quando o pai mostra o descontentamento com o romance da filha, tudo ali é artificial: a forma que a menina pede para o rapaz esperar do lado de fora, a briga que se desenrola do lado da janela, as reações...


Falta naturalidade em UFO, algo central para um romance desse tipo. Atuações, direção, roteiro: tudo aponta para algo exageradamente artificial e cansativo. Até mesmo a questão das corridas de motos, os dilemas sociais... Ainda que seja outra cultura e outra sociedade, muita coisa não tem a verdade necessária. Acrescido desses clichês narrativos e visuais, UFO se consolida como um filme mediano: não é memorável, não é bom, não é divertido e, tampouco, original.

 

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