• Matheus Mans

Crítica: 'Um Amor, Mil Casamentos', da Netflix, brinca com possibilidades do amor



Casamentos são sempre eventos imprevisíveis. Afinal, são tipos e pessoas muito diferentes que, em comum, contam apenas com a amizade ou parentesco com os noivos. Por isso, um casamento é a fórmula do acaso. Dá para esperar de tudo. Romances, brigas, pessoas alteradas, aqueles que não veem a hora de ir embora. Tudo pode acontecer entre a igreja e a festa.


E é sobre isso que se debruça o longa-metragem Um Amor, Mil Casamentos, nova produção original da Netflix. Dirigido por Dean Craig, que faz sua estreia como roteirista, o filme mostra uma série de acontecimentos no casamento da irmã de Jack (Sam Claflin). Tem o amigo nervoso com o discurso, uma ex-namorada, italianos, o cara chato e, é claro, a pretendente (Olivia Munn).


A partir disso, o roteiro do próprio Craig -- e que é um remake do filme francês Plan de table -- brinca com as possibilidades a partir de personagens tão distintos. Como se desenrolaria o casamento se o ex-namorado da noiva sentasse perto do irmão? E se o irmão sentar longe da pretendente e ficar pertinho da ex-namorada? Isso mudaria alguma coisa nos acontecimentos?

O começo do filme, que faz esse exercício mais longamente, é divertido. Ainda que não gere gargalhadas, a trama acerta ao levar alguns estereótipos ao máximo e criar situações esdrúxulas -- algumas, inclusive, totalmente fora da realidade. É interessante ver como os personagens se movimentam nesse cenário caótico e, como dito, repleto de boas possibilidades.


Destaque, ainda, para Claflin (Como Eu Era Antes de Você), que volta a se sair bem numa comédia romântica. Parece que é o gênero dele. Munn (X-Men: Apocalipse) está apaixonante como sempre, como uma personagem independente e levemente misteriosa. E, por fim, vale ressaltar os bons papéis da indiana Freida Pinto e do divertidíssimo Tim Key. Estão ótimos.


No entanto, depois desse bom início, o roteiro de Craig decai. Ao invés de explorar ao máximo as diversas possibilidades narrativas dessa mistura de situações e suposições, Um Amor, Mil Casamentos passa rapidamente por essas misturas e volta a se atentar longamente à um novo exercício imaginativo. Fica cansativo, excessivamente repetitivo. O longa não sai do lugar.


Depois, bem finalzinho, o filme volta a recuperar o vigor ao trazer mensagens bonitinhas, ainda que batidas -- como o amor é lindo, como ultrapassa barreiras, como sobrevive em diversas possibilidades e como o acaso, muitas vezes, pode fazer com que uma paixão aconteça de vez. Mas fica aquilo: é um bom filme, mas que poderia ser melhor. Mais certeiro. Só diverte, enfim.


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