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  • Matheus Mans

Crítica: 'Um Broto Legal' transforma vida de Celly Campello em 'novela das 6'


Sabe aquela expressão de que quando uma pessoa, família ou situação é tratado como se fosse uma eterna maravilha é como se fosse um "comercial de margarina"? Não é bem isso que acontece com Um Broto Legal. Vai além: aqui, o diretor Luiz Alberto Pereira transforma a história de uma das percursoras do rock'n'roll no Brasil em uma espécie de novela das seis.


Mas vamos por partes. O longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira, 16, mostra o início da trajetória artística de Celly, acompanhada do irmão Tony. São os primeiros passos dos dois como artistas na interiorana Taubaté e, aos poucos, ganhando os palcos, as telas e o coração dos fãs no Brasil todo. É um recorte diferente, mais enxuto e localizado, que dá frescor ao filme.


No entanto, Luiz Alberto Pereira termina suas ousadias por aí. Quase que santificando a figura de Celly, ela a trata como uma pessoa imaculada. É intocável, irretocável. Acerta o tempo todo, aceita todas as frustrações ao seu redor. Um Broto Legal comete, assim, o maior pecado que uma cinebiografia poderia cometer: não se aprofunda, apenas cria uma casca envernizada.

Com isso, sobra ingenuidade no longa-metragem. Ainda que a jovem Marianna Alexandre esteja realmente muito bem como Celly e tenha bom desempenho nas canções, aparentemente dubladas, ela acaba sendo estereotipada de maneira exagerada. É a visão que as pessoas tem, de hoje, do que era ser mulher no passado, sem nunca encontrar um respiro, um escape.


O pior é que isso vai contaminando o entorno. Em determinada cena, apresentam o cantor Carlos Gonzaga para Celly e ele, por sua vez, começa do nada a cantar Diana. Não faz sentido e cria uma bolha de artificialidade desconfortável, que automaticamente faz o público questionar tudo aquilo. Faltou mais realidade em uma história que queremos, justamente, saber a verdade.


Não é um filme ruim, já que conta a história de maneira aproveitável (é surpreendente o final para quem não sabia da trajetória de Celly) e tem bons números musicais e atuações acima da média. Mas faltou ousadia, originalidade. Talvez reduzir mais o tempo e mostrar uma semana da vida de Celly? Não sei. Só sei que esperava um pouco mais de uma cinebiografia de Celly.

 

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