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  • Matheus Mans

Crítica: 'Um Dia Difícil', da Netflix, é filme que transita entre thriller e o ridículo


Que filme mais estranho esse Um Dia Difícil, produção francesa original da Netflix. Dirigido por Régis Blondeau, diretor de fotografia que faz sua estreia no comando, o longa-metragem conta a história do policial Thomas (Franck Gastambide). Ele atropela um homem se querer e, na tentativa de acobertar a morte, acaba tomando medidas extremas — com fortes consequências.


O grande problema do longa-metragem está no tom. O filme é vendido e comandado como se fosse um thriller, um suspense. Há toda a tensão da situação em que o policial se mete, que pode colocá-lo em apuros sem oportunidade de saída. No entanto, por motivo nenhum, Blondeau quase transforma o longa-metragem em uma comédia de erros digna dos irmãos Coen.


Se o filme não se levasse tão a sério, esse tom de humor poderia ser interessante e temperar Um Dia Difícil — uma das maiores artes na direção e no roteiro é misturar gêneros díspares com qualidade. No entanto, a forma que a história é conduzida não condiz com as reações do público.


Um Dia Difícil também conta com atores perdidos em cena. Franck Gastambide não tem um currículo impressionante, nem nada do tipo (o filme com maior destaque no IMDb é Táxi 5). Sem muita experiência, o ator também fica a cara de durão (ao estilo Jason Statham e afins), mas, dada a situação toda da narrativa, isso deixa o filme ainda mais cômico, mais estranho e bizarro.


Difícil compreender exatamente o que Um Dia Difícil. O fato é que vemos mais uma produção sem boa direção, roteiro estranho e elenco perdido, embalado nessas divulgações da Netflix que tentam inflar o catálogo do serviço. No final, fica aquela dica: se quer conhecer novos cineastas e gosta de histórias que causam uma sensação estranha enquanto assiste, pode ser divertido.

 

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