• Matheus Mans

Crítica: 'Um Grito de Liberdade' é dramalhão turco que emociona


Infelizmente, o cinema turco é pouco difundindo no Brasil. Ainda que produções do leste europeu e do Oriente Médio estejam ganhando força, este país entrincheirado entre vizinhos como Síria, Iraque e Bulgária não tem feito sua voz circular na sétima arte. Por isso, dá uma ponta de alegria ver um filme como Um Grito de Liberdade chegando por aqui, direto no Cinema Virtual.


Dirigido por Mustafa Kotan, este drama turco se aprofunda na relação entre mãe e filha. De um lado, a mãe Ayse (Sumru Yavrucuk) é simples, ama a rotina do seu povoado e se dedica totalmente à filha. E a menina Nazli (Özge Gürel) é um poço de ingratidão. Tem vergonha da sua mãe, a trata mal na frente dos outros e parece não ter nenhuma gratidão pelo seu esforço.


Por isso, ao longo de cerca de uma hora de filme, o diretor Mustafa Kotan se aprofunda fortemente nessa dicotomia. De um lado, é quase impossível não sentir pena e empatia por essa senhora tão esforçada. Por outro, a raiva com relação à garota só cresce. Em determinada cena, em um jantar, Um Grito de Liberdade acaba de vez com a menina. Você passa a ter nojo dela.

Por isso fica tão interessante acompanhar o desenrolar da trama deste longa turco. A história se mete em uma situação difícil -- afinal, o ideal aqui seria ter empatia pelas duas, mesmo com a garota não tratando a mãe bem. Entender esta menina e os motivos dela agir assim. No entanto, Kotan parte para o tudo ou nada. É uma situação delicada. E que cobra seu preço no ato final.


Nos trinta minutos finais, Um Grito de Liberdade tem uma reviravolta totalmente descabida. Parece outro filme. Ou até um sonho -- confesso que cogitei isso enquanto as coisas rolavam na tela. Afinal, mudam totalmente de comportamento na tela. E quanto o motivo finalmente é revelado, com pouquíssimos minutos faltando, o longa-metragem abraça um total dramalhão.


O filme, infelizmente, vira uma coisa completamente absurda. Há muito grito, muito choro. Uma cena final que quer arrancar lágrimas a todo custo -- e, de novo, a partir de uma reviravolta descolada. Fica difícil de embarcar na proposta. No entanto, vale avisar: pessoas emocionais e com situações pendentes com mães, dificilmente vão segurar as lágrimas. Vão entrar na trama.


O restante do público, enquanto isso, deve sentir esse estranhamento que ressaltei. A emoção exagerada, o descolamento da trama, a perda de sentido na narrativa. Acaba virando uma bola de neve. E a cena final, que deveria ser arrebatadora para todos por conta da simpatia que a personagem da mãe, acaba caindo no vazio. Uma pena. Poderia ter sido muito mais acertado.

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