'Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda' traz nostalgia e diversão em dose dupla
- Matheus Mans

- 5 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

Vinte e dois anos depois do sucesso que marcou uma geração, a Disney finalmente nos presenteia com a continuação da história que conquistou corações ao redor do mundo. Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda chega aos cinemas nesta quinta, 7, trazendo de volta a dupla Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan, agora lidando com uma nova geração de conflitos familiares.
Dirigido por Nisha Ganatra, conhecida por A Batida Perfeita, o filme nos transporta para os tempos de hoje, duas décadas após o filme original. Tess (Jamie Lee Curtis) agora está casada com Ryan, enquanto Anna (Lindsay Lohan) seguiu um caminho diferente: tornou-se mãe solo de Harper (Julia Butters), uma adolescente que herda toda a rebeldia da mãe em sua juventude.
A magia volta a acontecer quando Anna se apaixona por Eric (Manny Jacinto), um viúvo e pai da arqui-inimiga de Harper na escola. As coisas acontecem e, desta vez, quatro personagens trocam de corpo: Anna, Tess, Harper e Lily, que criam uma confusão ainda maior que a original.
O interessante é descobrir que a história tem raízes ainda mais profundas. Poucos sabem que Sexta-Feira Muito Louca nasceu de um livro infantil de Mary Rodgers, publicado em 1972, e que já havia ganhado uma adaptação cinematográfica em 1976 com Se Eu Fosse Minha Mãe. O filme de 2003 foi apenas uma das várias releituras dessa premissa atemporal.
O grande desafio de qualquer continuação é falar com uma nova geração sem perder a essência que conquistou a anterior. Nesse aspecto, Ganatra consegue um equilíbrio admirável. O filme funciona tanto para quem cresceu com o original quanto para os jovens que estão descobrindo essa dinâmica pela primeira vez.
Os melhores momentos de Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda acontecem quando Curtis e Lohan dividem a tela. A química entre as duas permanece intacta, e é evidente o quanto ambas se divertem interpretando essas versões mais maduras de seus personagens. O humor físico ganha novas camadas, explorando desde as dificuldades de se levantar da cama até a quantidade de medicamentos que se acumula com a idade.
O filme mantém seu DNA original: uma reflexão bem-humorada sobre o eterno conflito entre gerações, sobre como pais e filhos frequentemente não conseguem se entender, e sobre como a empatia pode surgir quando literalmente nos colocamos no lugar do outro.
Por mais divertido que seja, o filme não escapa dos clichês típicos de continuações. A necessidade de equilibrar nostalgia e inovação resulta em algumas repetições inevitáveis. Elementos interessantes, como Anna sendo mãe solo, são subaproveitados em favor de uma fórmula mais segura e familiar.
É a eterna complicação das sequências tardias: como manter a essência original enquanto se renova? Como trazer novos personagens sem ofuscar os veteranos? Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda resolve essas questões de forma satisfatória, mesmo que nem sempre inovadora.
Apesar de seus defeitos de execução, o filme consegue capturar o que realmente importa: a emoção genuína e o bom humor de todo o elenco. A modernização da história funciona, mesmo com suas repetições, criando uma experiência que consegue agradar diferentes públicos.
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda pode não revolucionar a fórmula, mas oferece diversão garantida e uma dose generosa de nostalgia bem administrada. Para os fãs do original, é um reencontro caloroso. Para novatos, introdução charmosa a um universo cheio de possibilidades.
Talvez seja mesmo o melhor filme da Disney de 2025 até agora.





