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  • Matheus Mans

Crítica: 'Vigaristas em Hollywood' é filme que se aproxima do besteirol com Robert De Niro


Chega a ser estranho como Robert De Niro transita entre filmes de qualidade bem díspar entre eles. Por um lado, faz obras grandiosas como O Irlandês e, por outro, cai em ciladas como Vigaristas em Hollywood, longa-metragem de comédia que chegou às salas de cinemas no País na última quinta-feira, 2. Estranho e pouco coeso, o filme é uma bagunça difícil de digerir.


Mas vamos por partes. O filme conta a história de Max (Robert De Niro), um produtor de cinema que vive um fracasso profissional com filmes independentes em Hollywood. Só que ele vê uma possibilidade de mudar de vida, ao lado do sócio (Zach Braff), quando percebe que pode ganhar muito dinheiro de seguro caso um ator veterano (Tommy Lee Jones) sofra acidente em cena.


É a oportunidade de Max fazer seu pé de meia e, acima de tudo, conseguir pagar a dívida que tem com um mafioso ali na região, interpretado de maneira canastrona por Morgan Freeman.


Com direção de George Gallo, roteirista de Fuga à Meia-Noite, uma das primeiras comédias de De Niro, o longa-metragem passeia entre um memorial saudoso e recheado de nostalgia da Hollywood de décadas passadas — como foi Era Uma Vez em... Hollywood, por exemplo — e um besteirol desafinado, com algumas cenas constrangedoras e que complicam a adesão ao filme.

É o caso, por exemplo, de uma explosão que joga De Niro no ar. Sabe aqueles efeitos bem rudimentares, do começo da internet, em que uma foto estática fica girando no ar para dar essa impressão de que a pessoa estão rodando nos céus? É algo bem similar que acontece aqui. Mas não como uma forma de linguagem nostálgica, mas sim como dificuldade em acertar o tom.


Enquanto, por um lado, Vigaristas em Hollywood busca ser essa homenagem ao cinema de outros tempo, por outro há uma comédia pastelão que não encaixa, não faz sentido, não orna. De Niro sabe disso e, dessa forma, entrega o mínimo possível em cena. Ao lado de um mediano Zach Braff, o veterano até brinca com tipos e situações, mas nunca sai do lugar-comum.


No final, no impasse da linguagem e com esse humor escrachado, Vigaristas em Hollywood mostra que George Gallo não tem a perícia necessária para fazer essa brincadeira narrativa da vida e dos desafios em Hollywood, nessa metalinguagem que, falando de filmes recentes, podemos citar novamente Era Uma Vez em... Hollywood ou, até mesmo, Artista do Desastre.


Imagens mais ousadas, atores mais soltos, piadas mais encaixadas. Tudo isso não é visto por aqui. Uma pena, já que há um humor natural no fato de Robert De Niro, Morgan Freeman e Tommy Lee Jones interpretarem tipos tão fracassados em um mundo em que o trio é tão celebrado. Mas, fica o aviso, era preciso um realizador mais talentosos para isso funcionar.


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