• Matheus Mans

Cultuado até hoje, filme ‘Dirty Dancing’ completa 30 anos


A estreia nos EUA foi no finalzinho de agosto, mas o Brasil só recebeu o ritmo quente de Dirty Dancing pouco mais de um mês depois, em 25 de setembro de 1987. Hoje, o filme completa 30 anos de sua estreia aqui no Brasil. E curiosamente, o culto ao longa-metragem de Emile Ardolino -- que depois ainda emplacou o sucesso de Mudança de Hábito -- continua invicto e conquistando as novas gerações que surgem. Mas porque será que ele ainda é tão cultuado?

Sinceramente, é difícil responder a pergunta. A história não é original, tampouco genial. Para quem não se lembra, um pequeno refresco: Dirty Dancing acompanha o verão de Baby (Jennifer Grey), uma garota que vai com a família para um belo resort em Catskills. Lá, ela acaba se envolvendo com o charmoso professor de dança Johnny Castle (saudoso Patrick Swayze) e logo o amor vem à tona entre os dois. Uma trama que ressoa em vários filmes românticos por aí.

No entanto, parece que a história tem um encantamento natural, um quê de ingenuidade que captura a atenção de qualquer um e faz o filme ficar guardado no coração, intocável. É difícil ver alguém que assista Dirty Dancing e não surja algum carinho pela produção. Algo é despertado no interior de cada. Uma das justificativas usadas por ensaístas e críticos está na excelente química entre Swayze e Jennifer. Os dois transbordam paixão nas telonas e nas coreografias.

Além disso, a música do filme é contagiante e se tornou um clássico que transpassa as gerações de fãs. I've Had (The Time of My Life) é um hit inconfundível, um clássico absoluto e instantâneo que dificilmente será esquecido. Tudo ainda embalada pela ótima coreografia feita por Kenny Ortega, que depois teve sua carreira consagrada em definitivo com os filmes da franquia High School Musical. Mas, ainda assim, acredito que os motivos para o sucesso de Dirty Dancing sejam outros.

Claro, a trilha sonora, a química entre Swayze e Jennifer, a história cheia de ingenuidade e do tal “encantamento natural” ajudam a criar um culto nos cinemas. Mas há um quê a mais. Na minha opinião, isso está na falta de preocupação e no belo relato de épocas passadas. Está na nostalgia e no sentimento coletivo, e natural, de querer voltar à épocas passadas -- sentimento este que foi belamente retratado no filme Meia-Noite em Paris, do cineasta Woody Allen.

Apesar de Dirty Dancing se passar na década de 1960, há muita influência da década de 1980 em sua concepção. As músicas refletem a época, e todo o figurino, apesar de ter sido pensado para 20 anos antes, lembra muito os anos 1980. E as pessoas, quando assistem, sentem a década entrando nas veias e a nostalgia vai para as alturas. É inevitável que haja ainda um culto por trás de filmes que reacendem este sentimento -- vide o sucesso de It, a Coisa e Stranger Things.

E aí todo mundo vê Dirty Dancing como um refúgio. Saímos desses tempos loucos que nós vivemos e vamos para uma época onde a grande trama era uma garota rica que caía de paixões por um professor de dança. E eles enfrentavam tudo e todos. E dançavam, e dançavam, e dançavam. Quem viveu essa época, quer voltar no tempo para deixar todas as preocupações de lado. E quem não viveu, quer experimentar um tempo que nunca mais vai existir.

Nessa toada, Dirty Dancing ocupa o posto de clássico inevitável. E é merecido. Afinal, uma das funções do cinema é nos transportar para realidades alternativas mais interessantes que a nossa -- seja uma escola de bruxaria, seja a Terra Média lotada de seres minúsculos, seja uma viagem no espaço. No caso do filme de Emile Ardolino, ele nos transporta para um tempo que nos dá saudades e que aquece os nossos corações. Quer algo melhor do que isso? Só voltando no tempo.

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