• Matheus Mans

Em 2019, 12,5% dos filmes eram remakes ou sequências


Pode parecer um número baixo, mas é assustador. Ao longo de 2019, foram lançados 446 longas nos cinemas brasileiros. Destes, 56 eram remakes, reboots ou sequências -- ou seja, um total de 12,5% dos lançamentos no circuito. O levantamento foi feito pelo Esquina de acordo com os filmes registrados com alguma bilheteria -- relançamentos e especiais não contam aqui.


Antes de tudo, para explicar a metodologia: para reboots e remakes, contamos apenas produções que tenham mexido com filmes que tenham algum significado, alcance ou relevância. Cats, por exemplo, não entrou na lista, já que não consideramos o filme de 1998 relevante. Filmes da Marvel com novos heróis também não entram em sequências. É preciso ser direto.


Dessa maneira, notamos que o mês com mais remakes, reboots e sequências é em janeiro -- foram oito produções do tipo, como Creed II e Como Treinar o Seu Dragão 3. É o mês, também, que tem a maior porcentagem frente os lançamentos. 22,8% de todos os filmes que chegaram aos cinemas não eram ideias originais, já tendo algum resquício na mente das pessoas.


Já o mês mais positivo para os amantes da criatividade foi logo em seguida, em fevereiro, com apenas dois filmes de remake, reboot e sequência, totalizando apenas 6% dos lançamentos.

Dentre as produtoras e distribuidoras, enquanto isso, a campeã de remakes, reboots e sequências foi a Paris Filmes, com 10. Logo em seguida, Disney (9), Sony (7), Universal e Warner (6), Imagem (4) e Diamond e Fox (2). Pagu, H20, PlayArte, Bretz, Paramount, Galeria e Bonfilm somam 1 cada. Ou seja: as grandes empresas do ramo que tomam conta desse "setor".


E apesar da Paris Filmes liderar, é a Disney que mais impressiona no segmento. Afinal, a empresa do Mickey lançou 11 filmes ao longo do ano. Destes, apenas dois eram originais -- no caso, Capitã Marvel e Link Perdido. Já a Paris/Downtown, lançou 37 filmes. Ou seja: acaba tendo um total de lançamentos originais bem maior do que o número de remakes, reboots e afins.


A coisa fica ainda pior, porém, se olharmos as 10 maiores bilheterias do ano. Dominado pela Disney, o ranking global conta com 7 não-originais. Escapam Coringa, Capitã Marvel e Ne Zha.


Assim, podemos notar que estamos num momento preocupante. Os remakes, reboots e sequências tomaram conta dos lançamentos. As ideias originais, que persistem em produtoras e distribuidoras menores, são aniquiladas nas bilheterias. O que sobra, assim, é um apanhado de ideias recicladas e covardes. Pior quando isso afeta até o conteúdo, como no novo Star Wars...


A torcida, agora, é para que ano que vem o Esquina possa fazer um levantamento mais feliz. Só 5%, 7% dos lançamentos. Dessa forma, poderemos ter um cinema mais dinâmico e criativo.

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