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  • Matheus Mans

Crítica: Em ano fraco de animações, 'Garoto Fantasma' dá suspiro de criatividade

Atualizado: 12 de jan.


De um lado da história, um garoto está enfrentando uma grave doença e, por isso, precisa ficar internado em um hospital. Do outro lado, enquanto isso, um terrorista tenta dominar o mundo enquanto um atrapalhado -- mas esperto -- policial tenta impedir que isto ocorra, numa trama que lembra os clássicos policiais do século passado. Parecem filmes diferentes, mas tudo faz parte de uma criativa e divertida animação francesa que acaba de chegar aos cinemas, Garoto Fantasma.

Com a direção talentosa dos franceses Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli (que também foram os realizadores do inesquecível Um Gato em Paris), o filme tem um ingrediente inteligente que faz com que a trama policialesca e o drama da criança doente se unam: o espectro espiritual. Enquanto está internado, o garoto, sem muita explicação, consegue sair de seu corpo, podendo andar livremente pelo mundo. Com esta condição, ele passa a ter a capacidade de ajudar o tal policial a encontrar o terrorista.

Para a condução da história, Gagnol e Felicioli escolheram por traços simples, mas com forte influência cubista e de outros clássicos da animação, como Abril e o mundo extraordinário e o ótimo As Bicicletas de Belleville. É um desenho limpo, sem grandes firulas, mas que não deixa escapar nenhum detalhe e tem um certo preciosismo pelo cenário: enquanto o garoto voa pelo céu, as coisas continuam a acontecer ao seu redor. É um cuidado dos diretores para deixar o filme mais interessante.

O grande ponto alto do filme, porém, está a trama relatada no começo do filme: ele consegue unir com classe e delicadeza uma triste história de uma criança doente com a trama policial que bebe da fonte de histórias pulp da década de 1940 -- tem um vilão levemente caricato e um final óbvio. É uma mistura de gêneros narrativos que não é simples de ser feita em uma animação, que ainda tem o dever de agradar vários tipos de públicos que estão dispostos a assistir a produção, como crianças e adultos.

E apesar de alguns erros no meio do caminho, como uma ou outra personagem desenvolvida com características rasas, Garoto Fantasma tem uma trama criativa, interessante e corajosa em termos narrativos. É um frescor em 2017, que enfrenta animações pouco ousadas e com história "mais do mesmo", como é o caso de O Poderoso Chefinho e até da esperada Batman: LEGO. Assim, por fim, o filme de Gagnol e Felicioli mostra que, com cada vez mais frequência, a salvação do cinema vem fora do circuito -- e, principalmente, da França.


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