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  • Amilton Pinheiro

Em entrevista, Guinga fala sobre carreira, violão e show em São Paulo


Guinga
Crédito: Manfred Pollert

Quando o compositor, violonista e cantor Guinga, 72, percebeu que seria artista e que, como tal, só faria somente o que viesse da sua alma, da sua ancestralidade e do que acreditava, intuiu que precisa ,antes de mais nada, garantir um meio para sobreviver. É o que fez; estudou e trabalhou durante 35 anos como dentista.


“E a odontologia, que exerci durante 35 anos, permitiu que eu fizesse a música que bem entendesse, sem me preocupar com tendência de mercado, com o que faz sucesso ou o que não faz sucesso. Fiz a música que me deu na minha cabeça e no meu coração”, conta nesta entrevista exclusiva que deu ao Esquina por WhatsApp (veja abaixo a entrevista completa).


Ele se apresenta no Sesc Pinheiros neste domingo, 17, às 18h, ao lado de três músicos e amigos; o arranjador e saxofonista Proveta, “um dos melhores que se tem notícias no Brasil”; o saxofonista e flautista Teco Cardoso, “um dos maiores saxoplanos e flautista maravilhoso”; e a cantora Lívia Netrovski “uma grande cantora”. Eles vão apresentar em arranjos duo e trio de algumas das canções que Guinga fez ao longo de mais de 50 anos de carreira, como: Catavento e Girassol, Choro Pro Zé, Senhorinha, entre outras. “Eu me sinto muito feliz. Estou rodeado por amigos que defendem minha música”, diz com orgulho.


Absorvido pelo Violão, Memórias, Músicas, Letras e Parceiros


Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar, seu nome de batismo, nasceu na zona norte do Rio de Janeiro, no bairro de Madureira, em 1950 (depois foi morar em Jacarepaguá). De uma família humilde, mas que cultuava a música vinda de dentro da casa da família e do lado de fora; das ruas, das pessoas e dos lugares em que viveu. Memórias afetivas que estão cada vez mais presentes na sua obra de instrumentista, compositor e cantor, como no último álbum lançado em 2021, Zaboio, em que ele pela primeira vez na vida faz melodia e letra.

“Essa faceta de letrista dele, tem se intensificado de uns tempos pra cá. Ele diz que o disco Zaboio é um retrato dele mesmo e dos sentimentos dele”, nos conta a cantora, compositora, violonista e pesquisadora Anna Paes, que está lançando um songbook Cancioneiro Guinga – Zaboio, pela Gilly Music, e um disco com músicas de Guinga e parceiros, Você Você – Anna Paes Canta Guinga, que chegará nas plataformas digitais em setembro. Um dos singles do disco, Nebrina e Flâmulas, foi lançado na sexta, 15 (veja entrevista com Anna Paes no final da matéria).


No violão, Guinga teve três mestres: seu tio, Marco Aurélio, violonista amador, que lhe apresentou o instrumento, Hélio Delmiro e Marcus Tardelli. “Pra mim, fica claro isso. Hélio Delmiro, meu tio, Marco Aurélio e Marcus Tardelli, as três maiores influências do meu violão, entre diversas outras”, conta. Mesmo tendo estudado violão, Guinga não tinha paciência para ficar debruçado sobre as obras de outros músicos. Ficava inventando suas próprias composições. Queria aprender, do que teorizar sobre as obras feitas para o violão.


Parceiros, foram muitos. Mas ele preferiu se concentrar nas parcerias, primeiramente de Paulo César Pinheiro e posteriormente de Aldir Blanc (1946-2020), com quem fez mais obras, por volta de 80, algumas ainda inéditas.


“Aldir Blanc é sem dúvida meu parceiro mais importante dentro da minha vida, não desfazendo dos demais e Paulo César Pinheiro, com quem ele divide a maior parte das minhas canções, que é um gênio, maravilhoso compositor. Mas o Aldir foi um homem que lutou muito por mim. Sou muito agradecido a ele. Ainda temos algumas coisas inéditas, sim. Devemos ter em torno de 80 canções, acredito”, revela Guinga na entrevista que segue, em que fala um pouco da sua história, de nunca ter feito grande sucesso, coisa que nunca o incomodou, sabe mais do que ninguém como funciona a indústria cultural e de entretenimento, das parcerias e dos interpretes da sua obra (queria ver uma música sua sendo gravada por Milton Nascimento), de não querer falar sobre política, mas deixando claro que não gosta de Jair Bolsonaro e do desejo de continuar vivendo e compondo.


Esquina da Cultura: Como foi construir e desenvolver uma carreira de instrumentista, compositor e cantor que se sedimentou pela pesquisa, conceito e qualidade, diante da implacável indústria cultural de massa, que afugenta as pessoas de ouvir e aprender a gostar de músicas mais elaboradas? Nesses mais de 50 anos de carreira, o Brasil se tornou melhor ou pior para artistas como você e por que?

Guinga: Eu, para poder enfrentar a dificuldade de trabalhar num mercado tendencioso, com a prática do jabá – [termo muito usada no mercado de música no Brasil, que é um diminutivo da palavra jabaculê, que significa “gorjeta”, ou seja, pagamento em dinheiro, que as rádios, programas de televisão, etc, cobram dos artistas para tocarem suas músicas ou para convidá-los], para as pessoas executarem as músicas, sendo pagas para isso, e tudo, que é uma coisa antiga –, fui estudar odontologia, para sobreviver como dentista, para não ser obrigado a suportar essa pressão na minha vida. E a odontologia, que exerci durante 35 anos, permitiu que eu fizesse a música que bem entendesse, sem me preocupar com tendência de mercado, com o que faz sucesso ou o que não faz sucesso. Fiz a música que me deu na minha cabeça e no meu coração. Acho que hoje em dia é a mesma coisa de antigamente. Sempre houve uma barreira muito grande para se veicular uma música de qualidade. Acho que com o advento de outras mídias, acabou não beneficiando também. As rádios ficaram tendenciosas. Você tem que pesquisar muito para conseguir ouvir uma boa música. Há determinados aplicativos que nem obedece. Você começa digitando e antes de você terminar a digitar, diz que não foi encontrado. Mas isso aí não é minha parte, não entendo muito bem disso.


Esquina: Tomei conhecimento a seu respeito, como cantor e compositor, em 1986, indiretamente, por conta da gravação que Ronnie Von fez da sua música Senhorinha, [que fez com a letra de Paulo César Pinheiro] e que entrou na primeira versão da novela Sinhá Moça, de 1986, da Rede Globo. O que você achou dessa interpretação, que teve, além dela, outras gravações, como a sua e a da Mônica Salmaso? O que essa exposição trouxe de benefício para sua carreira? Como nasceu essa bela composição, conte um pouco da sua história? É seu maior sucesso e a mais gravada?

Guinga: Senhorinha é uma música que fiz para minhas filhas. Foi um encomenda para o Paulo César Pinheiro, que perguntou o que eu sentia. Disse a ele que pensava numa fazenda, onde minhas filhas, que foram passear comigo, brincaram muito. E Paulinho acabou fazendo essa letra. E a gravação do Ronnie Von, é uma gravação honesta, que ele fez o melhor que pôde, sou muito agradecido a ele, que teve os arranjos de Dori Caymmi. A TV Globo queria que fosse um cantor galã na época, e ele [Ronnie Von], se enquadrava completamente nesse perfil. As outras gravações, a da Mônica [Salmaso] é linda, eu também gravei essa música. Há várias outras músicas e gravações, eu também gravei. Sou agradecido a todos que a gravaram. Não posso dizer que ela é meu maior sucesso, porque na realidade eu sou um compositor que nunca fez grande sucesso. Faço músicas que foram executadas um pouco mais, um pouco menos. Mas não posso dizer que sou um autor de sucessos.


Esquina: Nascido e criado no Rio de Janeiro, entre o bairro de Madureira e Jacarepaguá, em 1950, você guarda afetuosas lembranças da sua família e desses lugares. O que você herdou artisticamente desses lugares e desse lar, que teve um tio materno, Marco Aurélio, um violonista amador, que não somente lhe apresentou o instrumento, que faria parte da sua vida artística, como também lhe cultivou o desejo de aprender a tocar aquele instrumento misterioso? E o que você nunca deixou de lembrar dessa época?

Guinga: Esse período está vivo na minha vida. Para você ter uma noção, quando estou no Rio de Janeiro, sempre vou lá visitar o lugar onde fui criado. Vou muito em Vila Valqueire [Zona Oeste do Rio de Janeiro]. Às vezes, duas a três vezes por semana, só para poder traçar um caminho que fazia quando era criança, passar por alguns lugares que ainda estão de pé. E dessa maneira, me dá a impressão que o tempo não passou. A natureza lá, permanece intacta, não foi muito mexida. Os morros ainda estão verdes, não estão favelizados ainda. Isso é uma coisa que mexe muito com minha sensibilidade, passar na casa onde fui criado, onde minha avó costurava as minhas roupinhas, onde eu saia para ir para o colégio primário. A casa virou uma casa de moradia e o terreno dela virou uma loja que vende açaí e pastel. Outro dia, tive o orgulho de comer um pastel sentado numa mesa, no lugar onde ficava uma goiabeira branca que cansei de brincar nela. Essas coisas fazem parte do meu imaginário, da minha vida. Meu tio Marquinhos, que foi quem me ensinou violão ali dentro daquela casa, essa casa que ainda passo por ela hoje em dia, foi onde peguei o violão pela primeira vez com onze anos de idade. Tudo isso, é muito importante na minha vida e se transforma em música.


Esquina: Fale um pouco dessa apresentação que fará no Sesc Pinheiros, que trará convidados: Lívia Nestrovski, Nailor Proveta e Teco Cardoso, com novos arranjos em duo e trio da “Canção Brasileira”, além de sucessos da sua carreira, como, por exemplo, Senhorinha, Catavento e Girassol e Choro pro Zé?

Guinga: Vou me apresentar para meus amigos, a Lívia [Netrovski], o [Nailor] Proveta e o Teco Cardoso. Cada um, dentro das suas especificidades, especialidades, são geniais. O Proveja é um dos maiores arranjadores e saxofonistas que se tem notícia no Brasil. O Teco é um dos maiores saxoplanos e flautista maravilhoso. A Lívia é uma grande cantora. Eu me sinto muito feliz. Estou rodeado por amigos, amigos que defendem minha música


Esquina: Você teve grandes parceiros na música, como Paulo César Pinheiro, Chico Buarque, Nelson Motta, além de Thiago Amud e o que mais trabalhou, Aldir Blanc, que infelizmente nos deixou em 2020, em decorrências de complicações da Covid-19. Como foi trabalhar ao lado de artistas tão diferentes? E como nasceu essa amizade e parceria com Aldir Blanc? Vocês fizeram quantas músicas juntos? Ficou alguma parceria inédita ou alguma música que infelizmente não deu tempo de terminar? Como era Aldir na intimidade?

Guinga: Aldir Blanc é sem dúvida meu parceiro mais importante dentro da minha vida, não desfazendo dos demais e Paulo César Pinheiro, com quem ele divide a maior parte das minhas canções, que é um gênio, maravilhoso compositor. Mas o Aldir foi um homem que lutou muito por mim. Sou muito agradecido a ele. Ainda temos algumas coisas inéditas, sim. Devemos ter em torno de 80 canções, acredito. E Aldir era um cara muito parecido comigo na intimidade, era um cara recluso, canhoto como eu, vascaíno como eu, um cara da família e do local a onde ele foi criado, na Tijuca, no Estácio. Era um homem fincado nas suas tradições e na sua memória. A gente era muito parecido, além dele ser médico psiquiatra e eu dentista, quer dizer: são muitas semelhanças. Quem nos aproximou foi Raphael Rabello [o maior gênio e virtuoso do violão no Brasil], mas nós nos conhecemos em 1969, na casa do dr. Luiz Porto Carreiro.


Esquina: Você parece que não guarda nenhum trauma ou frustração por não ter terminado os estudos de violonista erudito, pois você “queria ver o violão, como ele funcionava”, preferindo fazer suas composições, do que aprender obras de outros compositores. Por outro lado, você cultiva e reconhece a importância de artistas eruditos do instrumento, como, por exemplo, Raphael Rabello, Hélio Delmiro, Sérgio Assad, Egberto Gismonti, Yamandu Costa, entre outros, mas prefere a mistura erudita e popular de Baden Powell, João Pernambuco, Dilermando Reis, Aníbal Augusto Sardinha (Garoto) e João Gilberto, que são “cabeça, tronco e membros” da “planta” violonista. Em que momento você desistiu dos estudos e seguiu seu caminho de compor suas músicas populares com o violão? O que representa o instrumento, o violão, para a formação da música popular brasileira e por que nunca se deu o devido reconhecimento a excelência dos seus violonistas, seja populares ou eruditos?

Guinga: A sua pergunta tem alguns equívocos. O Hélio Delmiro é um dos maiores gênios do violão do mundo. É meu amigo desde que tenho 14 anos, já estou com 72 anos. Foi uma das maiores influências musicais da minha vida, assim como Marcus Tardelli, como meu tio, Marco Aurélio. Outras influências muito importantes foram, Lula Galvão e Chiquito Braga. Isso de pessoas com quem eu convivi. Afora isso, sou um apaixonado pelo violão e sou um brasileiro. Então, sou mais informado e mais conhecedor do violão brasileiro. Mas isso não quer dizer que não ouça o violão erudito e o violão de outros países, estou sempre ouvindo. Mas não me limito a ouvir apenas violão. Sou violonista por uma consequência. Gosto de música. Pra mim a música é muito mais importante que o instrumento, entende? Violão é um instrumento da arte, como o serrote é um instrumento do marceneiro, do carpinteiro e da música. No fundo é tudo instrumento. E o ser humano é um instrumento da espiritualidade, creio eu. Não estudei violão, porque eu tentei, dei uma investida com o professor Jodacil Damaceno, mas entendi que aquilo não era meu caminho, nunca ia ser um concertista, não tenho mão para ser concertista nem técnica que me permita ser concertista. Teria que dar minha vida para ser um concertista regular. Sempre percebi que a minha alma era de compositor e de inventar minhas coisas no violão, e assim que tenho, graças a Deus, sido bem sucedido. Pra mim, fica claro isso. Hélio Delmiro, meu tio, Marco Aurélio e Marcus Tardelli, as três maiores influências do meu violão, entre diversas outras. Fui muito amigo do Baden Powell, do Raphael Rabello, Chiquito Braga, Lula Galvão, Juarez Moreira. São tantos os gênios do violão no Brasil


Esquina: O seu último álbum Zaboio, lançado em 2021, ganhou um songbook, realizado pela cantora, compositora e pesquisadora Anna Paes, que chega agora ao mercado. Fale um pouco desse disco, que traz onze músicas, como Sábia Negritude, Meu Pai, Paulista Sabiá e Jogos de Damas, com participação da cantora Mônica Salmaso, além música Zaboio e desse lançamento do songbook? Fora tudo isso, Anna Paes também está lançando o disco Anna Paes Canta Guinga – Neblina e Flâmulas, como é ter a sua obra interpretada por outros cantores e compositores?

Guinga: O nome do disco da Anna Paes é Você Você – Anna Paes Canta Guing. Neblina e Flâmulas é um single que ela vai ser lançado no dia 15 [a entrevista aconteceu no dia 14 de julho]. Neste disco, ela canta só Guinga, e é voz e violão. Ela canta e eu toco violão. O Zaboio é um disco que foi produzido pela Fernanda Vogas. É um disco que eu só canto música e letra minha. É meu disco mais recente. Anna Paes gravou esse disco Você Você - Anna Paes Canta Guinga, que considero uma beleza. Acho que ela arrebentou. Cantou lindamente. É um disco maravilhoso


Esquina: Grandes intérpretes da MPB se debruçaram sobre suas músicas, como Elis Regina, Clara Nunes e Ivan Lins. Qual a importância desses artistas para sua carreira? Os artistas da música popular contemporânea têm prestado atenção na sua obra, tem ideia a respeito? Tem algum trabalho nesse sentido que será lançado? Que artista você gostaria de ver cantando uma música sua?

Guinga: O Ivan Lins foi um cara que me ajudou. É meu amigo há quase 50 anos, mas ele nunca foi interprete da minha obra, ele é um compositor. Há um engano na sua pergunta. Elis e Clara Nunes, sim, se debruçaram em cima da minha música, cantando e gravando. Ivan [Lins] foi um homem que me ajudou, meu amigo, me ajudou muito. Graças a Deus, os artistas jovens têm prestado atenção na minha música e alguns também da minha geração mais remotamente. Bem depois que eu apareci, começaram a prestar também atenção a minha obra. Isso me deixa muito feliz. Eu não posso competir com minha música. Tenho um tempo de validade, a minha música, espero que não. Por enquanto, penso em continuar gravando enquanto eu viver. Um artista que gostaria de ver cantando uma música minha é Milton Nascimento, com certeza.


Esquina: Como é envelhecer como artista no Brasil, diante de um governo que tentou de todas as formas prejudicá-los e demonizá-los? O que pensa sobre as próximas eleições para presidente? Que pais você gostaria de deixar?

Guinga: Não gostaria de falar de política. Tenho horror de política, apesar de ter consciência de tudo que se passa no meu País. Gostaria de deixar claro, aqui, que eu não gosto do [Jair] Bolsonaro.


Esquina: Quantos álbuns de carreira você já lançou? Quais você mais aprecia e por que? Tem algum disco inédito já pronto ou sendo produzido ou planejado?

Guinga: Para te falar a verdade, não sei quantos discos tenho gravado. Nunca parei para contar [Luís Carlos Pavan, que representa o artista pela Gargântua Produções nos respondeu que são 20 discos]. Eu não me preocupo com o que já foi feito. A mim, não me interessa, particularmente, o que já gravei, o que já compus. A mim, isso não tem relevância nenhuma. Quero saber o que que eu vou compor pra diante. Eu me sinto compositor, quando consigo fazer uma nova canção, e não quando fico contabilizando as músicas que já fiz. Todo compositor é assim. Isso não é um privilégio meu. E meu plano, primeiro plano da minha vida, é continuar vivendo, tenho 72 anos, e continuar compondo


Show: Canção Brasileira (Guinga e Convidados)

Local: Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran (1.010 lugares)

Datas: 17/7, domingo, às 18h

Endereço: Rua Paes Leme, 195.

Duração: 60 minutos

Ingressos: R$ 40,00 (inteira). R$ 20,00 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$12,00 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). Ingressos à venda pelo Portal www.sescsp.org.br

Tel. (11) - Tel.: 11 3095.9400.


Uma conversa rápida com a cantora, compositora, violonista e pesquisadora Anna Paes


Esquina: Por que um disco de músicas de Guinga e seus parceiros?

Anna Paes: O disco Você Você – Anna Paes Canta Guinga está selando um período de quase dez anos de convivência musical minha com Guinga. Um compositor que eu sempre admirei com base nesses anos de convivência, que tive a oportunidade de me aprofundar na obra dele. O Guinga tem parcerias com grandes letristas; Paulo César Pinheiro e Aldir Blanc, que tem o maior número delas [de músicas]. Paulo César [Pinheiro] foi um letrista inaugural na carreira dele. Já a parceria com Aldir Blanc representa um período de consolidação da carreira do Guinga no início dos anos de 1990. A parceria com Chico Buarque Você Você, que dá o nome ao disco, sugere essa minha ligação visceral com a obra dele. E é uma “filha única”, a única música que eles fizeram juntos. Thiago Amud já pertence a uma geração mais recente de parceiros e Zé Miguel Wisnick, de uma geração anterior [ao do Thiago Amud], que tenho uma grande admiração, não só pelo artista, mas pelo pensador da música brasileira, que ele é.


Esquina: Quais são as expectativas com esse novo trabalho?

Anna Paes: Esse é o primeiro trabalho que me lanço como interprete de canções que não são minhas. Espero que o público aprecie essa escolha de repertório, que não é tão conhecido. São canções, valsas, toadas, com uma sonoridade nua e crua, de uma voz e de um violão. O fato de ser o violão do próprio compositor, acho que tem um grande valor. E eu sou muito grata ao Guinga pela oportunidade de gravar esse duo com ele.


Esquina: Além de cantora e compositora, você é pesquisadora, e, como tal, está lançando o songbook do disco Zaboio, de Guinga, de 2021. Fale um pouco desse projeto e por que esse disco em especial?

Anna Paes: Além de cantora, compositora e pesquisadora, sou violonista. E meu interesse pela obra do Guinga passou muito pela curiosidade de saber tocar no violão as músicas dele e me acompanhar. O songbook A Música de Guinga, que foi editado pela Gryphus, em 2003, com transcrições do Paulo Aragão e do Carlos Chaves, que são violonistas maravilhosos e profundos conhecedores da obra do Guinga. Esse livro foi uma grande referência para mim e para muitos violonistas. E como Guinga é um compositor intuitivo e é um estilista na maneira de tocar violão, um criador, mesmo, de uma nova linguagem no violão brasileiro, eu vejo os músicos de uma escola mais formal, muitos sedentos por terem acesso a esse tipo de material com violão escrito, no pentagrama e na cifra. Eu acho que o Cancioneiro Guinga – Zaboio, que vai sair pela Gilly Music, também com transcrições do Carlos Chaves e Paulo Aragão, irá contribuir muito para aproximar esses músicos da obra dele. Esse disco [Zaboio], em especial, foi escolhido, porque foi muito festejado em 2021, por ser o primeiro disco com letra e música do Guinga. Essa faceta de letrista dele, tem se intensificado de uns tempos pra cá. Ele diz que o disco Zaboio é um retrato dele mesmo e dos sentimentos dele.


Esquina: Fale um pouco de sua carreira e da turnê que virá em cima desse seu último disco Você Você – Anna Paes Canta Guinga, a ser lançado em setembro pela Kuarup?

Anna Paes: Meu primeiro disco foi o álbum autoral Miragem de Inaê em parceria com Iara Ferreira, lançado pela Biscoito Fino em 2016, com direção musical do Jayme Vignoli, e as participações do Guinga com o Quarteto Maogani e da cantora Paula Santoro. Eu tenho participado de gravações em vídeos, shows e festivais dedicados a divulgação da obras de compositoras mulheres, apresentando meu repertório autoral. E como compositora, além da Iara Ferreira, tenho parcerias com a Zélia Duncan, com o próprio Guinga, com Simone Guimarães, Marília Abduani, Vidal Assis, Edu Kneip, Rogério Santos, Sérgio Souto. E o lançamento de Você Você – Anna Paes Canta Guinga está saindo pela Kuarup em setembro, com dois singles que a gente vai lançar antes, o primeiro deles, agora em 15 de julho [a entrevista aconteceu no dia 14 de julho] Neblina e Flâmulas, uma parceria do Guinga com Aldir Blanc. Em setembro sai o disco completo. E a gente espera fazer shows aqui no Rio [de Janeiro], em Niterói, em São Paulo, Rio Grande do Sul, nos Estados Unidos e onde mais a gente tiver a oportunidade de apresentar esse duo.

 

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