• Matheus Mans

Erasmo Carlos faz show grandioso em São Paulo


O “tremendão” Erasmo Carlos mostrou no último final de semana que o peso dos 76 anos não abalou a sua performance no palco. Com a show Gigante Gentil, nome de seu disco vencedor do Grammy Latino de 2014, ele apresentou no SESC Pinheiros, em São Paulo, um desfile de hits de sua carreira, embalados por uma produção grandiosa e um cuidado especial na condução do espetáculo.

O começo do show surpreendeu. Fazendo brincadeira com o nome do espetáculo, Erasmo entrou no palco como um gigante, ao som de passos pesados e luzes que brilhavam a cada movimento do músico. Logo em seguida, já emendou a canção Gigante Gentil, que é uma resposta aos comentários maldosos que Erasmo lia na internet -- chamando-o, dentre outras coisas, de zumbi do The Walking Dead.

Logo em seguida, o músico já começou a embalar um sucesso atrás do outro: Mulher, A Carta, Sou Uma Criança, Não Entendo Nada e Mesmo Que Seja Eu. Tudo com uma banda inspirada -- com dois guitarristas, um baixista, um baterista e um tecladistas -- e com a grandiosidade da produção ainda em voga. Afinal, a cada letra, imagens e artes plásticas enfeitavam o telão ao fundo do palco.

O grande destaque para a primeira metade do espetáculo, porém, ficou com É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo. Pouco conhecida pelo público em geral, a canção chamou a atenção pelo forte apelo político, arrancando alguns gritos de “Fora Temer” da plateia -- ainda que cobertos pela interação de Erasmo com os músicos. As únicas faltas nesta primeira metade foram Mais Um Na Multidão e Além do Horizonte.

Já com uma hora de show, Erasmo não mostrou cansaço. Ainda que com movimentos mais limitados e pedindo a ajuda do público em alguns momentos, o músico ainda mostrou total domínio do palco e, em momento algum, interrompeu o show para descansar. A única parte mais lenta foi uma apresentação intimista de músicas como Olha e Como é Grande o Meu Amor por Você. Só Erasmo e piano.

Neste ponto também surpreendeu a forte interação do cantor com o público ali presente, lotando o Teatro Paulo Autran. Mostrando bom-humor, ele criou situações divertidas com os músicos e fez brincadeiras com alguns gritos de “lindo” que recebeu de algumas vozes masculinas da plateia. Ele ainda voltou a falar de política, gerando mais alguns gritos de “Fora Temer”. De forma elegante, Erasmo voltou a ignorar os protestos, mas os gritos ganharam força.

Depois disso, finalmente, Erasmo chegou à Jovem Guarda. Sem pausa, emendou Minha Fama de Mau, Pode Vir Quente que eu Estou Fervendo, Quero Que Vá Tudo Pro Inferno e, a que colocou todo mundo pra dançar, Festa de Arromba. Impossível não sentir um forte sentimento de nostalgia. Depois disso, o músico encerrou o show e saiu do palco como um gigante, ainda que sem efeitos práticos de luz e som. Apenas com sua guitarra, simpatia e poder musical. Um verdadeiro gigante gentil.

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