• Tadeu Elias

Festival de Vitória: ‘A Mata Negra’ é ovacionado no segundo dia do festival


A sala estava lotada quando A Mata Negra começou a ser exibido. Com todas as cadeiras ocupadas e algumas pessoas nos corredores. Logo no primeiro momento, uma espécie de introdução do que estava por vir, o filme do diretor capixaba Rodrigo Aragão arranca aplausos dos espectadores.

O longa conta a jornada de Clara (Carol Aragão, filha de Rodrigo), uma jovem que caminha da inocência para a violência por meio da magia negra. Quando criança, ela fora encontrada na floresta por Pai Pedro (Markus Konká), que acabou criando a menina. Em determinado dia, quando Pai Pedro sente-se fraco para ir à feira, ela vai em seu lugar. A partir disso, ela começa um romance com um dos feirantes. Esse romance interrompido por um suposto roubo, que motiva Clara a apelar para a magia negra presente no livro, mudando a vida dela, de seu amado e de todos os outros que estão ao redor.

A Mata Negra é o quinto longa de Rodrigo Aragão. É possível encontrar relações entre seus filmes. Suas inspirações vêm de obras como Senhor dos Anéis, assim podemos montar um mapa da região onde suas produções se passam e fazer algumas interações entre eles. Em um debate com a produtora Mayra Alarcón – esposa de Rodrigo e que também atuou no longa – ela revelou que “esse filme estava na cabeça há muito tempo e ele foi se surgindo a partir das outras produções”. Outra relação entre os filmes é o Livro Perdido de Cipriano, que aparece nos dois longas anteriores, Mar Negro e As Fábulas Negras.

A qualidade de A Mata Negra é inegável. Algumas vezes buscando referências em filmes mais trashes do gênero, deixando de lado os clichês criados pela indústria e trazendo algo novo e diferente para o cinema nacional. Os efeitos especiais também chamam a atenção do espectador. Segundo Alarcón, “o terror surge como uma forma de viajar para um universo fora da nossa realidade”, mas como fazer isso no Brasil, onde o gênero não é bem explorado? “O Rodrigo sempre gostou de efeitos especiais e para fazer o que gostava ele precisou começar a fazer os próprios filmes”, conclui Mayra Alarcón.

A Mata Negra se desenvolve através desse folclore criado por Rodrigo Aragão e, embora o caminho leve a protagonista aos horrores da magia negra, podemos ver um certo otimismo em seu papel. O objetivo que muda de tempos em tempos, quando tenta salvar a vida de algum personagem que aparece em seu caminho, ou reviver seu amado. Mas o desfecho mostra que as coisas no universo Negro criado pelo diretor pode ser mais complexo do que imaginamos e essa ideia já está em fase de criação, como afirmou Mayra Alarcón, e se chamará Terra Negra, dando fim a saga do Livro Perdido de Cipriano.