• Matheus Mans

Há 80 anos nos cinemas, múmia desperta medo e fascinação


Recentemente, um vídeo começou a circular nas redes sociais com as principais encarnações da Múmia no cinema. Ela surgiu pela primeira vez em 1932, com a atuação de Boris Karloff, e desde então não parou mais: Christopher Lee, Lon Chaney e, até mesmo, Jet Li já encarnaram o ser de raízes egípcias -- e que agora ganha nova roupagem com A Múmia, estrelado por Tom Cruise e Sofia Boutella.

No entanto, mesmo com tantas produções sobre o tema, uma dúvida paira no ar: de onde surgiu este monstro que já ganhou mais de 60 filmes em seu nome e, agora, estrela a produção com um orçamento de US$ 80 milhões?

De acordo com livros de História, as múmias surgiram por volta dos anos 3100 e 30 a.C., quando faraós começaram com hábito de mumificar pessoas importantes para que elas ressuscitassem após a morte. Assim, partes do corpo eram retiradas -- como o cérebro e as tripas --, colocavam mirra dentro do ventre e deixavam corpo banhado de sal e de natrão por setenta dias. Após este período, era enterrado onde fosse mais conveniente para uma família.

As bandagens, enquanto isso, eram feitas de de linho de uso doméstico, ou atá mesmo de roupas, rasgados em tiras. A peça geralmente já fora usada e podia até ter sido remendada por familiares. Além disso, encantamentos protetores eram inscritos em papiros que acompanhavam as múmias. Alguns continham frases com bons augúrios tais como Possa a sua cabeça não rolar e outros, nos casos dos mortos mais importantes, como os faraós, com maldições para quem violasse o túmulo.

No entanto, todo misticismo por trás de histórias da múmia no cinema, é claro, são fantasiosos. O corpo recebia rituais religiosos, mas não havia intenção de tornar o túmulo amaldiçoado, como é retratado amplamente nos cinemas. Além disso, poucos são os casos de múmias enterradas com dezenas de outros corpos "cuidando" do local. São mitos e lendas que surgiram para que a múmia ficasse mais forte no imaginário popular.

"Muitos ladrões de túmulos, arqueólogos amadores e,até mesmo, alguns profissionais morreram ao inalar ar de pirâmides", esclarece o historiador Erik Hörner, em entrevista ao Esquina. Porém, não era uma maldição. Era, simplesmente, o gás tóxico que saía dos corpos em decomposição e do ambiente fechado. "As pessoas passaram a acreditar que aqueles túmulos tinham algum tipo de maldição quando violados."

Com isso tudo, é claro, ela se tornou presença marcante nos filmes. O visual é macabro por si só -- afinal, é um corpo em decomposição enrolado por faixas -- e o misticismo ao redor de pirâmides só cresceu com o passar do tempo, confirmando a ideia de lugar protegido por maldições. Assim, filmes como A Maldição da Múmia e o clássico A Múmia, de 1932, e que inaugurou a presença do monstro nos cinemas.

E agora, com o novo filme estrelado por Tom Cruise, a múmia ganha ainda mais status no meio cinematográfico. Na história, que fará parte de um universo de monstros clássicos da Universal (como o Frankenstein e o Homem-Invisível), uma antiga rainha está mumificada e sepultado em uma cripta. No entanto, ela desperta e com uma maldade acumulada ao longo dos anos, começa a espalhar terror desde as areais do Oriente Médio até os becos de Londres. Para impedir que a múmia destrua todo o mundo, então, surge Tom Cruise.

Para o historiador, a lenda da múmia é algo permanente na mente das pessoas. "Existe a mística das múmias sobre a via após a morte, já que elas era enterradas com seus pertences. Isso ajuda, junto com as mortes, a perpetuar as lendas envolvendo essa figura através de séculos. É algo que desperta muita fascinação."