• Domenico Minervino

Lobão ataca novamente com guia sobre rock nos anos 1980


Os anos 80 contados pelo Rock não tem nada de incorreto. É somente esse o erro do guia lançado pela editora Leya e escrito pelo multifacetado artista Lobão. E digo: necessário artista Lobão. Pode-se não concordar com suas ideias, seu modo de ser, suas escolhas políticas (muito em foco hoje em dia), suas paixões, seu estilo de vida, sua bocarra pronta para regurgitar o mundo, mas não se pode deixar de lhe dar o devido valor.

Ele parece estar anos-luz a frente do seu tempo. Vê o que ninguém vê. Cria o que ninguém cria e não é entendido, compreendido, assimilado, aceitado, por uma população desinteressada. O próximo sucesso nacional é mais uma “dor de corno” de um cantor ou cantora sertaneja, desafinado, mas que atrai multidões. Ah! Áureos anos 80!

A nostalgia que emana do Guia politicamente incorreto dos anos 80 pelo Rock é belíssima, chega a encher a alma. Também provoca uma dorzinha lá no fundo do peito de uma imensa saudade. Claro: apenas para quem vivenciou aqueles anos de alguma forma. Se você é um jovem que nasceu depois desse período, esse guia só lhe serve para dizer que o País já foi muito melhor musical e culturalmente. E você perdeu essa.

Para os velhinhos que estão chegando aos quarenta já visualizando o futuro exame de próstata (como eu), o livro é fantástico. Muito bem escrito e detalhado, traz uma riqueza de detalhes capaz de reativar lembranças e fatos guardados e esquecidos. No meu caso, enquanto me deliciava com a obra, consegui alinhar ao que vivi. Cantei muito Kid Vinil indo para escola, muito Ultraje a Rigor. Naqueles tempos, queria ter o topete do Thedy Corrêa, vocalista do Nenhum de nós. Escutava Titãs, Engenheiros, Legião Urbana e, sim, Lobão.

Apesar de falar muito de si, o artista consegue falar muito dos outros tão importantes para esse movimento. Resgata, inclusive, bandas não tão lembradas do punk. E ataca veementemente a MPB de Caetano, Gil e Chico Buarque. O tom é duro, é forte, é direto. Veja um exemplo ao se reportar a Maria Bethânia:

“... acredito que Maria Bethânia seja uma das aberrações artísticas mais insuportáveis geradas pela música nativa. Ela faz parte daquele fenômeno típico, quando alguém, por ser esquisito, torna-se miseravelmente confundido com algo genial” – página 73.

Além disso, revive a rincha que teve com Os Paralamas do Sucesso ao acusá-los de ter criações plagiadas. Lobão esteve e está certo quanto às alegações. Por incrível que pareça, consegue provar essa fraude, já transcrita em sua biografia. Necessário, extremamente necessário. Tanto o guia, quanto Lobão.

Título: Guia Politicamente Incorreto dos anos 80 pelo Rock

Autor: Lobão

Editora: Leya

Ano: 2017

Preço médio: R$ 40,00

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