• Matheus Mans

Opinião: A Disney tirou seu conteúdo da Netflix. E agora?


Na tarde da última terça-feira, 8, choque para os fãs da Netflix: a Disney iria retirar todas os seus títulos do catálogo do serviço de streaming, incluindo as animações e as produções de peso, como Piratas do Caribe e Star Wars. A decisão, porém, tinha fundamento: a Disney está de olho no mercado de streaming e deve lançar sua própria plataforma até o começo de 2019.

Muitas pessoas, é claro, se revoltaram com a notícia -- afinal, a Netflix acabou de subir os preços da assinatura no Brasil e a Fox está retirando, paulatinamente, todas as produções do catálogo. No entanto, é preciso entender que este movimento, hoje, era extremamente esperado dentro do mercado de vídeos e de streaming. A Netflix cresceu, apareceu e hoje incomoda produtoras.

Para você ter uma ideia mais clara da situação: no segundo trimestre deste ano, a Netflix registrou um crescimento de 61% em seu lucro, totalizando US$ 65,6 milhões. Não é nada perto dos ganhos da Disney, que foram de US$ 2,3 bilhões no período. Ainda assim, porém, o resultado foi negativo para a empresa do Mickey, que viu o lucro cair 9%. Efeito direto de novas formas de consumo.

Agora, chegou o momento do mercado de streaming diversificar. Não só a Disney quer seu próprio produto, como a Fox, já mencionada no começo do texto, quer dar força para o Fox Play, levando para lá conteúdos como Modern Family, How I Met Your Mother e American Horror Story. A Warner também já disse que quer lançar seu streaming para séries da DC, além de animações.

O momento para a Netflix, agora, é único: arrumar a casa e direcionar seus investimentos. Ao invés de licenciar conteúdo, ela deve criar mais produções originais e, até mesmo, fazer aquisições -- algo que, até o momento, não tinha acontecido nos 20 anos de história da empresa. A primeira foi esta semana, quando a Netflix comprou a editora de quadrinhos Millarworld, dona de títulos como Kingsman e Kick-Ass.

A movimentação é sinal de que a Netflix está priorizando o seu conteúdo, indicando que precisará andar ainda mais com as próprias pernas -- deixando produções como House of Cards, inspirada numa série da BBC, de lado. É um movimento natural para o mercado e que será intensificado ao longo dos próximos anos. Que comece a guerra e que os melhores vençam.

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