• Matheus Mans

Opinião: Acelerar velocidade de filme na Netflix é atentado ao cinema


É inacreditável. Depois de uma série de rumores, a Netflix enfim começou a implementar a ferramenta de velocidade. Algo que o YouTube já faz, em que vídeos podem ser acelerados em até 2 vezes a velocidade normal. No caso da Netflix, a velocidade fica em 1,5. Isso mesmo. Qualquer filme disponível no catálogo do serviço de streaming, agora, poderá ser acelerado.


Muito já se disse sobre a Netflix estar acabando com os cinemas. Afinal, a plataforma trouxe a facilidade de assistir a filmes -- muitas vezes, inéditos -- apenas a alguns cliques do botão. Sem precisar sair de casa e pagando uma única mensalidade, que hoje gira em torno de R$ 30 reais. Bobagem. É apenas uma experiência complementar que traz novos diálogos com a sala escura.


O que é um verdadeiro atentado é essa grande bobagem de acelerar a velocidade. Oras, um filme deve ser assistido na maneira que o cineasta o concebeu. O ritmo de uma história, assim como a trama, as interpretações, o visual, ajuda a fazer com que o espectador mergulhe naquilo. Acima disso: o ritmo é, na verdade, determinante para a maneira de experienciar aquele filme.

Se o filme é rápido e ágil, ótimo. É para ser assim. O diretor quis aquilo. Você vai ficar empolgado, vai querer levantar da cadeira, vai ficar entusiasmo. Agora, se é lento, viva isso também, oras! Se deixe mergulhar nos detalhes, nos vazios, nos silêncios. Quantos filmes já vi em que muito se dizia no nada, no vazio, no não-dito. Agora, tudo isso entra em risco.


Afinal, assistir a um filme em velocidade 1,5x não será uma experiência igual ao que se vê na velocidade normal. Você perde esses detalhes, esses silêncios, coisas simples que amplificam a experiência. Não se pode dizer que é a mesma coisa. A pessoa que assiste em velocidade acelerada (ou até mesmo reduzida, como também está disponível) vê uma outra coisa na tela.


O que a Netflix está fazendo aqui é um atentado ao cinema. Amar ou odiar um filme faz parte. Se é lento demais pra você, tudo bem. Toque a vida. Veja outro filme. Colocar o espectador no controle do ritmo de um filme vai contra a experiência coletiva (e não individual!) que é ver um filme. A Netflix está matando a experiência, não o cinema. Que os filmes resistam. Vamos à luta.

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