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Resenha: 'Os Egípcios', de Isaac Asimov, traz outra face do autor de 'Fundação'


Isaac Asimov era um gênio. Ponto. O russo escreveu algumas das obras mais impressionantes da ficção científica, como a trilogia Fundação — que agora ganhou uma adaptação impressionante para a Apple TV+ — e outras obras seminais do gênero, como Eu, Robô, As Cavernas de Aço, O Sol Desvelado e Pedra no Céu. Por isso é tão interessante ler Os Egípcios.


Obra que já chama a atenção pela capa colorida e chamativa, o livro publicado no Brasil pelo selo Minotauro da editora Planeta é um estudo de Asimov sobre a sociedade egípcia e faz parte de uma coleção ainda maior, mas pouco conhecida do grande público, sobre antigas sociedades. A Planeta, aliás, deve lançar livros do autor russo sobre as sociedades grega e romana em 2022.


Mas voltando para Os Egípcios. Ao longo de suas 288 páginas, o autor de Fundação se debruça não só sobre fatos históricos, mas sobre elementos que ajudaram a formar a sociedade egípcia e, consequentemente, a sociedade contemporânea. É interessante notar a preocupação de Asimov, por exemplo, em mostrar como as questões ambientais interferiram no desenvolvimento do Egito como um todo. Isso, aliás, ajuda o livro a se tornar ainda mais atual.

Oras, difícil não pensar em como nós, como sociedade moderna, tecnológica e contemporânea, também estamos passando por um momento de transformação do meio. Como isso, no final, vai influenciar interferir em nossa existência? Asimov, que escreveu o livro há algumas décadas, obviamente não tinha respostas tão avançadas. Mas, com suas observações, traz ideias, traços.


Interessante notar também como o russo, que era bioquímico, também traz caminhos interessantes sobre ciências e conhecimentos, como a geometria — que surgiu, veja só, a partir da necessidade de demarcar e medir lotes e propriedades por conta das inundações do Nilo. São coisas que não vemos na escola e que, com as observações de Asimov, se tornam saborosas.


Rapidamente, assim, os fãs dos livros do escritor podem identificar paralelos entre sua obra de ficção com esse seu estudo completo e até mesmo avançado sobre a sociedade egípcia. Tecnologias da época que determinavam os rumos daquele império ganham um destaque que, em obras assinadas por historiadores, provavelmente seriam apenas notas de rodapé. O livro, assim, não é limitado às pessoas que gostam de História, mas abrange também fãs de Asimov.


Obviamente, não dá para esperar aqui a genialidade encontrada nas palavras do russo vistas em Fundação, por exemplo. No entanto, ainda assim, observa-se o apuro narrativo e de pesquisa que norteou toda a obra do autor. Os Egípcios, assim, é, inegavelmente, um presente para fãs de Asimov e que deve abrir ainda mais as fronteiras do escritor no cenário editorial brasileiro.


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