• Matheus Mans

Resenha: 'Scooby! O Filme' é aventura gostosa e despretensiosa


Foi aos trancos e barrancos que Scooby! O Filme chegou ao Brasil. Afinal, por conta da pandemia do novo coronavírus, o longa-metragem perdeu sua data de estreia nos cinemas e só depois de um bom tempo foi confirmado seu lançamento digital no mercado brasileiro de video on demand. E, até chegar nesse ponto, o filme sobre o dogue alemão passou por críticas.


Fora do Brasil (e até mesmo algumas pessoas daqui, que viram o longa ilegalmente), Scooby! O Filme foi quase massacrado. Muitos disseram que a trama não fazia sentido, que era cansativa, chata. Sem dúvidas, críticas que ajudaram a esvaziar o ânimo com o longa em VoD e que reduziu drasticamente o potencial do filme. Críticas que não poderiam ser mais injustas.


Afinal, Scooby! O Filme tem problemas, sim. Algumas passagens são mal explicadas, há uma estranha transformação da trama em uma história de super-heróis e há inúmeros furos. No entanto, não poderia ser mais saborosa. O que o diretor Tony Cervone (que comandou filmes de animação de Scooby antes) faz aqui é uma releitura para novas gerações. Não para marmanjos.

E isso é algo que tem sido constante no mundo da animação. Antigos e clássicos personagens estão sendo readaptados, a partir de leituras inéditas, para que crianças entrem em contato com essas histórias. E é isso que é feito aqui. Com computação e animação 3D, Scooby, Salsicha, Fred, Velma e Daphne começam a ser apresentados para novas gerações, em nova embalagem.


A nostalgia, enquanto isso, fica por conta de personagens clássicos que vão aparecendo aqui e ali -- Dick Vigarista, Muttley, Falcão Azul, Bionicão, Capitão Caverna, entre outras. E isso, vale dizer, é uma via de mão dupla. Afinal, enquanto afaga os mais velhos e nostálgicos, também já cria terreno para a produção de um universo compartilhado (e mágico!) de Hanna-Barbera.


Quanto à história, de fato é um pouco decepcionante não ter uma trama tradicional de mistério e ver Scooby! O Filme recair numa história banal de aventura, super-herói e redenção. Mas, de novo: o longa-metragem é para novas gerações e, com isso em mente, não há grandes problemas. Poderia ser melhor? Sem dúvidas. Mas, da maneira que ficou, funciona e diverte.


Assim, Scooby! O Filme não é nem de perto a tragédia que grande parte da imprensa internacional pintou. Parece que falta boa vontade de aceitar que estamos envelhecendo e que esses desenhos e personagens, para sobreviverem, precisam passar por releituras. Os tempos são outros, as pessoas são outras. Scooby e Salsicha, assim, precisam se novas aventuras.

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