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  • Matheus Mans

Resenha: 'Uma Árvore Cresce no Brooklyn' é livro apaixonante sobre amadurecimento


O livro Uma Árvore Cresce no Brooklyn, da autora Betty Smith, já pode ser chamado de clássico com toda a pompa necessária. A New York Public Library disse que é "um dos livros do século XX", enquanto a The New Yorker já o chamou de "clássico pungente e tocante". Mas, convenhamos, quando falamos de clássicos, há aquela aura intocável e até de certo elitismo. Por isso, digo com todas as letras: Uma Árvore Cresce no Brooklyn pode ser o livro da sua vida.


Com ares de calhamaço, com 525 páginas, o livro mergulha na história de amadurecimento de Francie Nolan, garota que amadureceu nas ruas das favelas de Williamsburg e precisou lidar com as mais variadas dificuldades: como o alcoolismo do pai, Johnny, ou o hábito da tia Sissy de se casar várias vezes sem se preocupar em se divorciar do marido anterior. Nesse ínterim, a jovem vai buscando meios de levar sua vida adianta, frente às adversidades que surgem.


Publicado originalmente na década de 1940, o livro transpira verdade. Betty Smith, aqui, sabe não apenas fazer um retrato atemporal, como também sabe construir com detalhes as camadas da garotinha que precisa enfrentar a aspereza do mundo. É daqueles romances de formação, tal qual Mulherzinhas, em que não importa o cenário ou a temporalidade. As personagens são tão fortes que transcendem as páginas, arrebatam o leitor e fazem sentido até mesmo atualmente.


É interessante notar a sensibilidade que Betty Smith coloca nas páginas. Mesmo com a simplicidade aparente da história, contada pelos olhos dessa garotinha inocente, ela consegue trazer momentos de potência sem exagerar na dose — uma sequência envolvendo violência, por exemplo, é retratada com uma delicadeza ímpar. Uma Árvore Cresce no Brooklyn, assim, cresce em cima da delicadeza, mas acaba se formando em uma trama de força, madura e proeminente.


E lembra quando falei, lá em cima, que pode ser o livro da sua vida? Bem, isso surge justamente a partir da construção de Francie. Personagem que ganha vida nas páginas, ela é facilmente relacionável. Você pode se ver em várias situações, se enxergar ali. Se isso não acontecer, pelo menos há a certeza da criação de vínculo. Isso é o mais potente que pode acontecer durante uma leitura. Você não só viver aquela história, como passar a se relacionar com os personagens.


Uma Árvore Cresce no Brooklyn, pra fechar a conversa, é um livro impactante, real, sensível e delicado. Cheio de camadas, sabe como lidar com assuntos complicados, geralmente tratados sem a autenticidade e leveza necessários. Aqui, não. Betty Smith cria uma obra que transcende a sua época e, mesmo 80 anos depois, pode dialogar com pessoas no Brasil, nos EUA e em qualquer lugar. Afinal, é um livro que fala sobre vida. E isso, felizmente, todos compartilhamos.


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