• Bárbara Zago

Simple Plan empolga, mas derrapa na setlist em turnê pelo Brasil


O movimento emo, ainda que difundido nas décadas de 1980 e 1990 nos Estados Unidos, ganhou peso no Brasil no início dos anos 2000. Ligar a televisão na MTV em 2007 era, na maioria das vezes, dar de cara com um clipe do Fall Out Boy, Panic! at the Disco ou My Chemical Romance.

Em épocas que não existia Spotify, e o iPod ainda estava começando a se tornar popular, o jeito era escutar rádio (ou baixar músicas do Limewire). Querendo ou não, passava-se a ter muito contato com qualquer tipo de música que estivesse em alta. Atire a primeira pedra quem, durante esse tempo, nunca ligou a rádio e escutou Perfect. do Simple Plan, tocando.

A banda canadense teve seu auge justamente durante esse período, em que acabaram se tornando ícones para os adeptos do movimento. No entanto, isso não significa que deixaram de vir para o Brasil, muito menos fazer shows pelo mundo todo. Em 2017, seu primeiro álbum No Pads, No Helmets, Just Balls! completou seus 15 anos e a ideia foi simples: comemorar com uma turnê em que tocassem todas as músicas do disco.

Como boa fã, fui em todos os shows que o Simple Plan fez no Brasil desde 2007. Alguns em São Paulo, outros no Rio de Janeiro e cheguei até a ir para Porto Alegre. Querendo ou não, isso me dá uma boa bagagem na hora de avaliar um show, principalmente deles. Esta foi a primeira vez, pelo menos em São Paulo, que escolheram um lugar ruim, que mais se parece com uma balada do que qualquer outra coisa. A banda se apresentou na Audio Club, no domingo, 27, às 20h, e teve todos os seus ingressos vendidos.

O show seguiu à risca: cada música do primeiro álbum, inclusive obedecendo a ordem. Desde que o baixista David Desrosiers se afastou da banda por motivos de saúde mental, a dinâmica do Simple Plan mudou totalmente. Os shows costumavam ser muito interativos, com destaque para as conversas hilárias entre David e Pierre Bouvier, o vocalista da banda. A ausência dele não torna o show ruim, mas é impossível não sentir a falta.

A primeira parte do show, que foi a setlist composta pelas músicas do No Pads, No Helmets, Just Balls foi incrível, e extremamente emocionante para os fãs mais antigos da banda. Tocaram Grow Up, faixa bônus do CD, algo que não tinham feito no Brasil pelo menos há mais de dez anos. Com a casa cheia, Pierre foi capaz de divertir todos que estavam lá dentro e manter um ritmo enérgico durante todo o tempo. Os problemas começaram após a segunda parte.

A primeira música que não era do primeiro disco foi Shut Up, que também fez muito sucesso nos anos 2000. No entanto, é uma música de abertura, que exige muita energia do público. E exigir isso após mais de uma hora de música faz pouco sentido, já que a grande maioria ali já estava morrendo de cansaço. Em seguida, tocaram Jump, que tem exatamente a mesma proposta. Ainda que eu não concorde muito com a escolha da playlist, estava aproveitando o show ao máximo. Eis que resolveram lidar com aspectos mais burocráticos da coisa.

A banda sempre foi muito próxima dos fãs, e eu os admiro muito por isso. Lembro de um comentário de Chuck Comeau, baterista, no primeiro DVD deles sobre como eles eram acessíveis e dispostos a passar tempo com os fãs. Quinze anos depois é de se esperar que as coisas mudem, mas mesmo assim.

Há algum tempo, eles criaram a Pizza Party, que seria um espaço com comida e bebida após o show para que os fãs pudessem conversar com eles. Era pago e bastante caro, mas uma boa iniciativa. Em São Paulo, como a procura estava muito alta, resolveram fazer diferentes pacotes, todos pagos, para os fãs. E um deles incluía entrar no palco com eles durante o show para tirar uma foto.

A banda interrompeu todo o andamento para um pedido de casamento. Não gosto desse tipo de coisa, mas não julgo. E logo depois, perderam mais 5, 10 minutos para chamar essas pessoas que pagaram para ir ao palco. E quem estava na platéia? Ficou um bom tempo parado, apenas esperando aquilo acabar.

Simple Plan é minha banda favorita desde bem nova, mas pude reconhecer que o final deste último show em São Paulo deixou a desejar. Faltou mencionar o baixista mais vezes; afinal, querendo ou não, ele esteve presente durante esses 15 anos. Muitas placas foram distribuídas na fila com a frase “David is here! (David está aqui!), porém a banda falou dele apenas uma vez.

Como show comemorativo do primeiro disco, foi incrível. Mas de resto, espero que sejam mais cuidadosos para não cometer os mesmos erros novamente.

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