• Matheus Mans

Sweek se torna opção para publicar livros independentes


Até algum tempo atrás, o caminho para publicar uma história independente e de maneira instantânea era único: pelo Wattpad. A plataforma, com 10 anos de existência e 35 milhões de usuário ao mês, permitia que escritores ainda no começo da carreira começassem a publicar, capítulo por capítulo, suas histórias para, a partir daí, criar fãs e conquistar algum espaço no mercado editorial. Agora, novas alternativas começam a surgir e a aquecer este setor de publicação independente.

O primeiro a chamar a atenção é o Sweek, plataforma muito semelhante ao Wattpad e que também fornece um ambiente digital para publicações independentes. Ou seja: basta entrar, fazer um cadastro e começar a escrever, enquanto fãs de suas histórias e de seu estilo de escrita começam a surgir. A diferença está na interface, que possui funcionamento diferente para leitores e para quem escreve -- em testes realizados pelo Esquina, o Sweek mostrou ser mais complexo, mas com mais recursos.

As diferentes plataformas já estão sendo testadas pelos escritores. A escritora Clara Savelli, autora do novo romance Reações Químicas (leia mais abaixo), sempre foi usuária frequente do Wattpad -- lá, ela já está em sua oitava obra literária. No entanto, o grande número de publicações fez a jovem escritora alternar entre as duas plataformas para não confundir seus públicos, mantendo uma história no Wattpad e outra, a Reações Químicas, apenas no Sweek.

“Quando terminei de postar Chinelo e Salto Alto no Wattpad, abri enquete para escolher qual livro gostariam de ler. SIR venceu, mas Reações Químicas ficou em segundo lugar com muitos votos. Por isso, pensei em publicar os dois”, explica a autora ao Esquina. "Como queria que as leituras no Wattpad ficassem focadas só em um livro, resolvi testar o Sweek. Ainda estou aprendendo como o Sweek funciona, mas acho que ela tem potencial para ser um sucesso.”

Outra pessoa que aposta no Sweek é Felipe Sali, jornalista e escritor independente. Só no Wattpad, ele já escreveu três histórias e, agora, parte para o Sweek em busca de novos públicos para seus livros. “Quero experimentar o maior número de plataformas possíveis”, diz o rapaz ao Esquina. “O Sweek tem usuários diferentes dos que estão no Wattpad e isso ajuda a aumentar o leque de público. São plataformas que ajudam a atrair o jovem para a leitura.”

No entanto, vale ressaltar que as plataformas além do Wattpad ainda enfrentam um problema: a falta de grande público. Para efeito de comparação, Savelli chegou a ter 2,2 milhões de leitores na história Acampamento de Inverno para Músicos (nem tão) Talentosos. No Sweek, com Reações Químicas, o alcance ainda é baixo, com 202 seguidores. Ainda assim, porém, há uma diversificação de público e uma intensa interação com a autora.

Para os jovens escritores, porém, uma coisa é certa: cada vez mais leitores e escritores terão mais sites ou aplicativos para apostar na literatura de maneira independente. “A publicação online ainda é o melhor caminho para escritor iniciante que não consegue espaço em editoras tradicionais. Fazer nosso nome online acaba abrindo portas”, afirma Clara. “Não só Wattpad e Sweek, mas também a própria autopublicação na Amazon. O importante é se colocar no sol e ser visto.”

Clara Savelli, aliás, já se consolidou como um dos principais nomes do Wattpad: com sete livros publicados e um em andamento, a jovem escritora carioca já conta com mais de 13 mil seguidores em sua conta e algumas de suas obras, como a premiada história Acampamento de Inverno para Músicos (nem tão) Talentosos, alcançaram mais de 100 mil seguidores.

Assim, o Esquina conversou rapidamente com Savelli e, além das questões acima, ela também falou sobre o processo de escrita de Romance Concreto, seu novo livro, e sobre os desafios de se tornar um escritor profissional. Abaixo, você pode ler a breve entrevista com a autora:

Esquina: Conte um pouco mais sobre o processo de concepção de 'Reações Químicas'. De onde surgiu a ideia, como você está desenvolvendo a trama? Clara Savelli: A ideia surgiu de uma adaptação de uma webnovela que eu comecei a escrever anos atrás, no finado Orkut. Além de livros originais, eu escrevia uma ou outra webnovela sobre High School Musical (risos). Em uma delas, a dinâmica era semelhante: um bad boy e uma nerd eram obrigados a conviver, mesmo com todas as diferenças. Eu nunca terminei essa história (que se chamava Opostos) e Reações Químicas é totalmente diferente (comecei a escrever do zero, ignorando tudo que existia da webnovela), mas a origem da ideia do livro é essa web!

Quais dicas você dá para quem quer começar a escrever? Fora se colocar no sol e ser visto? (risos). A dica que eu sempre dou é: não desista. Tem dias que dá muita vontade de desistir e que as coisas parecem perder o sentido. É hora de parar um dia ou dois, refletir um pouco, fazer algo que você gosta e voltar revigorado. A caminhada é muito difícil, mas se viver no mundo literário é o que você deseja com todo coração, siga em frente!

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