• Matheus Mans

Teresa Cristina leve força de seu samba às músicas de Noel Rosa


A cantora Teresa Cristina já mostrou força e leveza, em iguais medidas, ainda que pareçam características contraditórias, em seu repertório próprio. Músicas como Poesia, Nem Ouro, Nem Prata e Pedro e Teresa comprovam isso. Agora, porém, a sambista carioca está tendo um outro momento na carreira, reverenciando antigos bamba. Começou com Cartola, com o belíssimo Teresa Cristina Canta Cartola, e agora parte para a obra prolífica e complexa do sambista Noel Rosa.

Com direção musical de Caetano Veloso, o disco é um passeio delicioso pela carreira de Noel. Teresa conseguiu colher, dentre as mais de duzentas composições do sambistas, as que mais o representam e, principalmente, as que caem melhor na voz ritmada e doce da artista carioca. A que abre os trabalhos, por exemplo, cai como uma luva: Feitio de Oração, melancólica por natureza, ganha contornos emocionantes na voz de Cristina e no violão de Carlinhos Sete Cordas.

Depois, o acerto vem numa curadoria precisa que resgata algumas canções um pouco mais esquecidas de Noel, como Filosofia, já regravada por Adoniran Barbosa, Chico Buarque e afins, mas pouco difundida; Positivismo, que é maravilhosamente sarcástica; e a boa Deixa de Ser Convencida, que destoa um pouco do restante das canções, mas que é boa na voz de Teresa. A única abaixo é Silêncio de 1 Minuto. Podia ter escolhido alguma música mais inspirada de Noel ou Feitiço da Vila, que faltou.

A voz de Cristina, e o violão sete cordas, ficam melhores, porém, com os sambas um pouco mais animados do carioca. Minha Viola, cantada em parceria com Moska, é uma delícia de ser ouvida. É nostálgica, bem conduzida e encaixa bem com Gago Apaixonado, a música anterior que surpreende pela irreverência da cantora. Onde Está a Honestidade também faz parte dessa interessante leva e encerra bem o álbum, mostrando a importância ainda atual do compositor.

Os dois grandes destaques, porém, estão com as músicas Conversa de Botequim, O X do Problema e Pela Décima Vez. As três - principalmente a primeira - estão maravilhosamente bem interpretadas. Dão força ao álbum e conseguem mostrar, de forma clara e sem dúvidas, os motivos que fizeram de Noel Rosa um dos maiores compositores da história do samba e Teresa Cristina, atualmente, como uma das maiores intérpretes da música popular brasileira. Boa música!

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