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  • Matheus Mans

'Volta para Casa', de Harlan Coben, diverte e entretém


No livro Alta Tensão, os queridos personagens Myron Bolitar e Win Horne Lockwood III chegaram num aparente fim. Harlan Coben, o autor, confirmou a pausa na saga, dizendo que ia se dedicar à novas histórias -- como a de Mickey Bolitar, sobrinho de Myron, que ganhou uma série infantojuvenil. No entanto, o escritor norte-americano, que já indicou cinco filmes ao Esquina, desistiu da pausa e voltou aos personagens no novo Volta para Casa.

O livro, felizmente, mantém as características mais tradicionais das histórias de Bolitar. O humor, ainda que um pouco atenuado, continua firme nas entrelinhas, transbordando com uma ironia bem dosada. E o mistério que circunda a trama é interessante: dois rapazes foram sequestrados há dez anos; um deles é sobrinho de Win. A situação, porém, volta aos holofotes quando o outro rapaz é visto nas ruas de Londres, aparentemente se prostituindo. O que aconteceu?

É a partir dessa pergunta que Coben, com uma escrita ágil e sem muita enrolação, desenvolve a narrativa. Os dois personagens principais continuam agradabilíssimos. Win está um pouco mais seco após os eventos de Alta Tensão, mas possui bons momentos -- principalmente quando Coben, arriscando um pouco, decide colocar a narrativa sob a sua perspectiva. Myron, porém, é a grande estrela: provocativo, humano, inteligente e muito engraçado.

No entanto, há de se destacar: Coben resolveu investir mais na expansão do universo ao inserir os personagens da saga de Mickey Bolitar na trama. A presença de Emma, sem duvidas, é um acerto -- ainda mais a conclusão da personagem, que é um absoluto choque para qualquer um. Colherada aparece um pouco, enche o saco às vezes, mas é funcional. Só que o sobrinho de Myron é chatíssimo. Só serve para incrementar as páginas e "herdar" o poder do tio.

Quanto ao mistério, não é o melhor. Nada comparado à Quando Ela Se Foi, Alta Tensão ou O Medo Mais Profundo. Mas também não é tão ruim quanto Seis Anos Depois ou qualquer um da saga Mickey Bolitar. Ou seja: é operante, funciona em alguns momentos de mistério e possui algumas boas cenas de ação, movimento a leitura e deixando o transcorrer do livro mais dinâmico e intenso. Big Cindy e Esperanza aparecem menos, mas também ajudam na tarefa.

Volta para Casa não é, então, um grande livro de retorno que vai emocionar fãs e levar as pessoas à loucura. É bom, bem escrito e possui os principais elementos da narrativa de Coben. Agora, é esperar para ver os próximos volumes da série -- e torcer para Mickey sumir do mapa -- para que as histórias de Myron voltem a ter o corpo e a substância de antes. A base, sem dúvidas, já está consolidada.