'Kingsman' do espaço, livro 'Os Seis Finalistas' diverte e entusiasma

05/07/2018

O mundo está a um passo do precipício. O aquecimento global se concretizou e a natureza mostrou sua força. Tempestades destroem, ventos se mostram impiedosos, o mar avança sobre o continente. Como resposta, a NASA decide recrutar vinte e quatro jovens para uma série de testes. O objetivo? Escolher seis deles para uma viagem só de ida à Europa, uma das luas de Júpiter que se mostrou totalmente apta para receber os humanos.

 

Escrita pela norte-americana Alexandra Monir, essa premissa é que norteia o livro Os Seis Finalistas, lançamento da editora Jangada. É a partir disso que a autora se aprofunda nos personagens Leo e Naomi. Ele é italiano e especialista em mergulho, ávido para ser um dos escolhidos. Ela, por outro lado, está infeliz. Quer ficar com a família na Terra e cuidar de seu irmãozinho, doente. Será preciso, então, sabotar toda a missão.

 

Difícil não traçar alguns paralelos da história de Monir com algumas obras por aí. Há toda a questão do treinamento de jovens, visto em Kingsman e, ainda mais diretamente, no bom Ender's Game. Há, também, um quê de Hogwarts, de Harry Potter, na "escola espacial" onde Leo e Naomi são postos em treinamento. E isso sem falar numa relação direta com a bomba cinematográfica The Titan, da Netflix, que mostra a colonização de Europa. 

 

Ainda que haja tantas referências -- diretas e indiretas --, não dá pra dizer que Os Seis Finalistas é pouco original. Inteiramente montados em cima de Leo e Naomi, o livro mostra lados opostos sobre uma missão espacial derradeira. Com bom desenvolvimento de personagens, Monir acerta na polaridade que cria, fazendo com que fique difícil desgrudar da história. Naomi é uma personagem interessante. Leo é cativante.

Além disso, tal qual Kingsman, o livro da editora Jangada cria uma série de intensas situações enérgicas pelas quais os personagens passam. Tem o teste de gravidade zero, o paraquedismo, corrida no gelo. São várias e várias provas espaciais que, junto com a boa e inteligente escrita de Monir, criam passagens memoráveis e que dão agilidade ao livro, que não se contenta em ficar preso ao cotidiano repetitivo de uma escola espacial. Bom acerto.

 

Vale ressaltar, também, a boa evolução na relação entre Naomi e Leo. Ainda que óbvia, ela ajuda a dar um pouco de vivacidade à história -- algo que o filme The Titan falhou intensamente. Também são óbvias algumas das reviravoltas conceituais pontuadas ao longo da trama. Mas isso não tira o brilho da história, que vai ganhando interessantes camadas ao longo de sua leitura. É uma construção cuidadosa de universo a ser aqui apresentado.

 

Os erros de Monir são pequenos, então. O principal é um certo maniqueísmo de seus personagens, que acabam denotando um pouco de polarização forçada à trama. O sobrinho do presidente dos Estados Unidos -- referenciado como uma espécie de Donald Trump -- é óbvia e caricatural demais. Falta camadas ali. Assim como também pesa a ausência de personagens secundários para dar suporte à narrativa e engrandecer a trama.

 

Só que o final de Os Seis Finalistas, vigoroso e surpreendente, ajuda a esquecer esses problemas e embarcar na aventura, no drama e no ímpeto da exploração espacial. Ansioso pela óbvia continuação, ainda sendo preparada por Monir. E, mais ainda, esperançoso quanto à possível adaptação cinematográfica, que teve seus direitos comprados pela Sony. Se bem feito, pode ser um bom respiro na ficção científica juvenil no cinema. Na literatura, felizmente, já é.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Publicidade